Desenvolvendo a inteligência emocional nas crianças

Imagem de mohamed Hassan por Pixabay

Se nós, adultos, algumas vezes temos dúvidas sobre o que estamos sentindo em determinadas situações, imagine as crianças!

Quando falamos em educação é importante levar em consideração o desenvolvimento integral do sujeito, que objetiva garantir o desenvolvimento em todas as suas dimensões: intelectual, física, emocional, social e cultural. Educação não é o que se faz apenas na escola, nos educamos quando nos relacionamos com outras pessoas e com o mundo. Nossa vida é repleta de aprendizados desde que nascemos e aprender a lidar com nossas emoções e sentimentos é um deles, aliás, um dos mais importantes para que todo o resto flua bem.

Quando somos desequilibrados emocionalmente podemos sofrer consequências graves em nossos relacionamentos, ou seja, pode afetar nossa vida social, profissional e pessoal. Quando não temos controle de nossas emoções, ao pensarmos algo negativo, rapidamente podemos exteriorizar em palavras ou gestos e causar danos para nós e para as pessoas que nos relacionamos, algumas vezes difíceis e até impossíveis de serem reparados.

Por este motivo é importante ajudar as crianças a entenderem o que estão sentindo desde muito pequenas, ensiná-las a nomear as emoções é o primeiro passo para aprender a lidar com elas. A raiva, a decepção, a ira, a tristeza, a frustração e todos esses sentimentos negativos também precisam fazer parte do desenvolvimento de nossos filhos e alunos, porém, o problema é que nós, muitas vezes, não queremos ver nossos filhos tristes, desapontados e acabamos, por amor, deixando de educá-los sobre as emoções, sem pensar nas consequências futuras de nossos atos. Tentamos distraí-los, falando de outro assunto, quando aparece o primeiro sintoma de decepção ou emoção negativa, em uma tentativa de mudar o foco. Isso quando não os repreendemos e dizemos para pararem de bobagem, porque na nossa concepção eles têm motivos de sobra para serem felizes e começamos um sermão, só não percebemos que a criança pode interpretar como: “Eu que devo ser boba mesmo, minha mãe tem razão!”. Essa criança pode ter acabado de aprender uma lição, que seu sentimento não tem valor, que é uma bobagem ficar triste.

Não estou dizendo que é para valorizar o sentimento negativo e não fazer nada com ele. O que quero dizer é que precisamos conversar com a criança sobre o que ela está sentindo, ajudando a dar nome a essa emoção e a entender o motivo, para que consiga resolver o problema. Ignorar não é a solução!

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) o número de suicídio entre jovens vem crescendo nas últimas décadas, e nós temos constatado isso nos noticiários. Mas o que fazer? O aumento do índice de pessoas com problemas ligados às emoções é assustador. O que afeta o corpo mexe na emoção, o que afeta a emoção, mexe no corpo, pois tudo está interligado. Isto significa que, inclusive, algumas dores que desenvolvemos pode ter relação com nossas emoções.

Entendeu a importância de ensinar seu filho ou aluno a lidar com as emoções? E a empatia é a melhor ferramenta para lidar com situações em que a criança esteja vivenciando emoções negativas, é exatamente nestas situações que os pais e professores têm a oportunidade de ajudá-los.

Empatia é compreender emocionalmente a outra pessoa, é se colocar no lugar do outro. Nossos filhos precisam muito do nosso esforço para compreendê-los e principalmente para instrumentalizá-los para se desenvolverem de forma integral.

Uma criança que desenvolve inteligência emocional tem uma série de benefícios durante a vida. Ela terá uma autoestima elevada, aprenderá com maior facilidade, saberá reconhecer e valorizar seus sentimentos e emoções, irá se relacionar melhor socialmente e adquirir habilidades para resolver melhor os conflitos e problemas que surgirem.

Toda mudança começa com exame de consciência. Não perca esta oportunidade, aprendendo a lidar com as suas emoções você terá maior facilidade para ajudar as crianças que convivem com você!

É possível desenvolver as competências de um líder?

Antes de falarmos sobre liderança precisamos entender o que são as competências. A competência é a capacidade de coordenar, de modo eficaz, diferentes conjuntos de conhecimentos, habilidades e atitudes que permitem um desempenho superior, sendo assim, o conhecimento refere-se ao saber fazer, as habilidades estão relacionadas ao “como” fazer e as atitudes dizem respeito a querer fazer. Portanto, se um desses elementos estiver faltando, não se pode falar em competência.

As competências poderiam ser classificadas de várias maneiras, mas vou classificá-las em quatro grupos: Cognitivas, Perceptivas, Motoras e Perceptivas-motoras.

As competências cognitivas estão relacionadas ao raciocínio, como resolver um problema matemático ou definir um programa de metas para a empresa.

As competências perceptivas envolvem a capacidade de detectar e interpretar informações usando nossos instintos. Ou seja, são aquelas competências que permitem decidirmos sobre o melhor momento de exercermos nossas ações: onde, como e quando. Por exemplo, o momento certo de contratar ou desligar um profissional.

As competências motoras são as mais básicas, pois estão relacionadas às ações que envolvem movimento físico.

As competências perceptivas-motoras correspondem aos elementos dos três grupos anteriores e que são exigidas principalmente na prática de esportes. Por exemplo: detectar, interpretar a ação e executar o movimento.

A boa notícia é que não existe idade para desenvolver uma nova competência graças a nossa plasticidade cerebral ou neuroplasticidade, somos capazes de aprender ao longo de toda a nossa vida. Novas ligações cerebrais são estimuladas pela prática de atividades diversas, como raciocínio lógico, exercícios físicos e meditação. Para adquirir novas competências basta boa vontade e dedicação.

O primeiro passo para desenvolver novas competências é descobrir qual delas você precisa desenvolver para alcançar seu objetivo. Para isso pergunte-se: o que fará de mim um profissional diferenciado na minha empresa? Que habilidades eu preciso desenvolver para alcançar meu objetivo?

Para responder essas perguntas você precisará identificar as competências de uma pessoa que já chegou no objetivo que você deseja alcançar e pergunte-se: Quais eram os diferenciais desse profissional? Que competências ele tem que eu ainda não desenvolvi?

Partindo desse ponto inicial, agora você precisará entender o quanto você está motivado para desenvolver as novas competências, reflita sobre o que você deixará de ganhar por não dominar essa competência.

Um profissional que pode te ajudar nessa jornada é o Coach, mas tome cuidado na escolha, como em qualquer outra área existem os profissionais bons e os ruins, analise as formações e trajetória do profissional antes de contratar e iniciar seu processo de coaching.

Como coach eu já me deparei com diversas situações e profissionais no mercado, portanto, cuidado! Nós coaches temos as ferramentas que podem te ajudar a chegar mais rápido em seu objetivo de forma planejada, refletida e com um nível maior de assertividade.

Sendo assim, para se tornar um excelente líder, você precisará de foco e determinação, além de estar aberto a novos aprendizados. Lembre-se que buscar um aprendizado contínuo, por toda a vida, é o segredo para o sucesso, principalmente na sociedade complexa em que vivemos no século XXI. Como disse Brian Tracy: “Torne-se o tipo de líder que as pessoas seguiriam voluntariamente, mesmo que você não tenha título ou posição.”

Autismo e a ABA – Análise do Comportamento Aplicada

Imagem de Hatice EROL por Pixabay

O transtorno do espectro do autismo ou TEA causa prejuízos qualitativos nas habilidades de interação social, dificuldades de comunicação e o engajamento em comportamentos repetitivos e estereotipados. O TEA pode afetar crianças de qualquer raça ou cultura e a expressão dos sintomas pode variar de leve a severo através destas três áreas fundamentais.

ABA é a abreviação de Applied Behavior Analysis, que em português, sua tradução significa Análise do Comportamento Aplicada, seu método refere-se à intervenção e ao ensino de aptidões necessárias para viver em uma sociedade. Ela é responsável por aplicar princípios comportamentais a situações sociais realmente relevantes. A aplicação da ABA demonstrou sua eficácia na utilização em diferentes ambientes como escolas, empresas e situações diferenciadas.

Esse modelo científico de intervenção comportamental é considerado o mais eficaz para a redução de sintomas e comportamentos autísticos. Baseado no princípio de Skinner, alicerça ações em uma análise detalhada dos comportamentos iniciais da criança, em conjunto com fatores do ambiente de seus cuidadores, que favorecem ou prejudicam o modo de ela agir.

Quando se trata de Análise do Comportamento é importante ressaltar que os conceitos de ambiente e comportamento, bem como de resposta e estímulo, são interdependentes, sendo assim é essencial conhecer um para saber como o outro se determina. Pode-se empregar o termo “se” e “então”, sendo que o vocabulário “se” refere-se a algum aspecto do comportamento ou do ambiente e, o vocabulário “então” pode ser definido como o evento consequente. Exemplo: “se chover, então eu levo o guarda-chuva”.

Basicamente, o analista, observa quais as mudanças que necessitam ser realizadas para poder atuar com precisão sobre o ato e conquistar o resultado que deseja. Outro ponto é observar o antecedente, que é aquilo que acontece antes do comportamento, pois o comportamento é a resposta dada ao antecedente. Já a consequência é o que ocorre depois do comportamento. Exemplo:  O telefone toca (antecedente), você atende (comportamento), o operador de telemarketing lhe prende ao telefone atrasando o seu jantar (consequência). Quando essa situação ocorrer novamente, você poderá ter receio de atender o telefone enquanto estiver cozinhando, pois poderá atrasar o jantar.

Para a análise do comportamento, reforço é um processo fortalecido pela consequência imediata que seguirá a sua ocorrência. Um exemplo: a criança está no mercado com a mãe e pede alguma coisa, a mãe diz não (antededente), a criança se joga no chão e começa a chorar (comportamento), a mãe para evitar o constrangimento compra o que a criança pediu (reforço). Isso aumentou as chances de no futuro ela se jogar no chão quando quiser alguma coisa. Ao usar ABA para ensinar crianças com autismo são utilizadas apenas consequências positivas, ou reforçadoras.

O início do tratamento com ABA deve ser iniciado o quanto antes, sugere-se que seja prioritariamente utilizado em crianças pequenas, uma vez que o cérebro delas está mais aberto para receber as informações e a modificar os comportamentos, devido a neuroplasticidade entre os neurônios.

Alguns princípios são essenciais para que a dinâmica da ABA dê certo: deve ser aplicada por profissionais capacitados e qualquer pessoa pode receber treinamento para cumprir essa função; os profissionais que trabalham com crianças na área da saúde e educação devem conhecer e se capacitar na ABA; os pais devem saber sobre a ABA e manter, nos diferentes ambientes que frequenta, as ações orientadas pela clínica; as ações devem ser integradas entre a clínica e a escola, para que funcionem em consonância com a proposta. Ou seja, todos devem conhecer e aplicar da mesma forma a ABA, para que realmente tenha resultados.

Fidget Toys: a febre do momento! O que são e quais os benefícios?

Você já deve ter cruzado com alguma criança brincando com os famosos “Fidget Toys”, a nova sensação da criançada. São brinquedos educativos pequenos, que cabem na mão e que parecem inofensivos. Aí é que nos enganamos! Eles são brinquedos que promovem diversos benefícios, pois são brinquedos sensoriais. Não sei se você, assim como eu, adorava ficar estourando aquelas bolinhas do plástico bolha (confesso que ainda não resisto). Esse brinquedo lembra um pouco essa sensação irresistível de apertar as bolinhas.

Os Fidget Toys, cuja tradução é brinquedo de inquietação ou brinquedo antiestresse, têm como principal objetivo estimular o bem-estar através do toque e sons. Porém eles também ajudam no desenvolvimento da coordenação motora grossa e fina, melhoram a destreza, ajudam no desenvolvimento dos músculos das mãos e principalmente, aliviam a ansiedade e o estresse.

Esses brinquedos são produzidos em silicone, sendo extremamente macios, além de ter bolhas que estouram produzindo o som de um estouro suave, que é chamado de POP IT, cada vez que elas são pressionadas. Quando você termina de estourar as bolhas de um lado, basta virar o brinquedo e começar novamente. É isso mesmo, um plástico bolha infinito! Por ser um brinquedo de plástico é de fácil limpeza e esterilização.

Os Fidget Toys também trazem benefícios à cognição, pois em nosso desenvolvimento tudo está interligado, uma criança, antes de aprender a ler e escrever, precisa desenvolver outras habilidades, como correr, pular, entender alguns conceitos e assim por diante.  O desenvolvimento motor, a atenção e a concentração, são algumas das habilidades essenciais e que precisam ser trabalhadas na primeira infância, sendo assim, esses brinquedos também auxiliam, uma vez que trabalham justamente algumas dessas habilidades.

Para alguns profissionais da psicologia esses brinquedos ajudam também na meditação e podem ser usados por toda família. Afinal, os pais também precisam aliviar o estresse de suas rotinas agitadas!

Existem outros brinquedos que utilizam o mesmo conceito educativo dos fidget toys e que também oferecem grandes benefícios, como a massinha de modelar, as massinhas areia, os fidget spinner, os cubos mágicos e muitos outros. Os quebra-cabeças e jogos que criam padrões de montar e desmontar também podem ser incluídos nesse grupo de brinquedos.

Como você pode perceber, os Fidget Toys também podem ser utilizados por adultos, pois quando estamos diante de situações estressantes ou de ansiedade, é normal realizarmos ações repetitivas de caráter involuntário, que são movimentos que na maioria das vezes nem percebemos. O problema é quando isso se torna frequente, podendo causar grandes prejuízos, como por exemplo morder a tampa de uma caneta, esse comportamento pode prejudicar a saúde dos dentes ou articulações da mandíbula, enquanto roer as unhas pode causar ferimentos, infecções e até mesmo deformação.

Alguns estudos mostram que essas ações involuntárias são um mecanismo de defesa do cérebro para distrair a parte que foi atingida pelo estresse ou ansiedade, deixando as outras partes livres para prestar atenção à situação, e quando for o caso, buscar uma solução.

Sendo assim, deixar as mãos ocupadas pode ser uma ótima estratégia para ativar esse mecanismo, substituindo os comportamentos involuntários e enganando o cérebro, evitando assim os comportamentos prejudiciais. Portanto, deixar os pequenos brincarem com os Fidget Toys é uma ótima maneira de ajudá-los em momentos de estresse e ansiedade, para que assim possam lidar melhor com as situações que surgirem.

Como ajudar uma criança que tem comportamento desafiador e opositor

Imagem de Hanna Kovalchuk por Pixabay

Quem nunca se deparou com uma criança extremamente opositiva e desafiadora, que discute por qualquer motivo, não assume seus erros e faz questão de demonstrar que não será fácil negociar com ela, mesmo que a circunstância mostre que sua atitude é totalmente sem lógica. Ela constantemente se desentende com seus grupos de convivência e família, tornando tudo muito difícil. Essa criança pode estar apresentando sintomas do Transtorno Opositivo Desafiador, conhecido como TOD.

O início da manifestação do TOD ocorre antes dos 8 anos de idade e, se não tratado, poderá piorar muito na adolescência. A prevalência do TOD é de 2 a 16% das crianças em idade escolar e mostra-se mais comum em meninos do que em meninas. Segundo o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5), o TOD está dentro de transtornos disruptivos, do controle de impulsos e de conduta.

É muito comum que o TOD esteja associado ao TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (50% dos casos), sendo assim, é importante observar as crianças para que os sintomas sejam tratados, evitando dessa forma os problemas de aprendizagem e baixo rendimento escolar.

Em casos de crianças que apresentam esses comportamentos é comum que os ambientes familiares sejam conturbados e os pais não entrem em acordo em relação a forma de educar e estabelecer limites aos filhos, porém existem evidências genéticas e neurofisiológicas que podem predispor seu desenvolvimento.

Outro ponto comum é que os pais dessas crianças que apresentam um comportamento “difícil” evitem de sair com elas e terceirizem os cuidados, deixando com avós ou parentes próximos. Na escola também acabam sofrendo “bullying” e são mal compreendidas.

Mais uma vez vou insistir na questão dos rótulos e pré-julgamentos que fazemos em relação aos comportamentos das crianças. No passado era comum, infelizmente, que as crianças fossem mal compreendidas. Hoje, com o avanço das neurociências e do conhecimento em relação a complexidade do cérebro humano, precisamos mudar nossa ótica e forma de enxergar determinados comportamentos infantis, buscando soluções eficazes e opiniões de especialistas, para não prejudicarmos ainda mais o desenvolvimento da criança.

Como outros transtornos, o TOD precisa de avaliação psiquiátrica ou neuropediátrica e acompanhamento multidisciplinar, dependendo basicamente de três eixos: medicação, psicoterapia comportamental e suporte escolar. Em consultório, como psicopedagoga e neuropsicopedagoga, recebo crianças com baixo desempenho escolar associado a comportamentos desafiadores e de desatenção.

Concluindo, o mal comportamento pode ser sintoma de algum problema mais sério, sendo assim, quanto antes procurar ajuda especializada, melhores serão os resultados!

Cristiane Saraguci – Neuropsicopedagoga

Desenvolvendo uma mentalidade de crescimento

Imagem de Tumisu por Pixabay

Quero iniciar este artigo com um questionamento, você acredita que possui uma mentalidade de crescimento? Carol S. Dweck, especialista em personalidade, psicologia social e psicologia do desenvolvimento, desenvolveu o conceito de “Mindset”, que pode ser de ‘crescimento’ ou ‘fixo’. Em seu livro “Mindset – A nova psicologia do sucesso”, ela revela como nossa atitude mental influencia no modo como encaramos a vida e como isso é crucial para o nosso sucesso ou fracasso.

Já percebeu que quando falamos em mudança parece que nossa mente trabalha contra? Por que mudar gera tanto desconforto? Simples, é porque mudar dá muito trabalho, envolve vários fatores, entre eles, os hábitos! Basicamente o nosso cérebro tenta economizar energia, portanto muitas tarefas entram para o “modo automático”, como escovar os dentes, tomar banho, nos alimentar, etc. Portanto, podemos chamar de hábitos todas as ações que realizamos repetidamente e de forma automática.

Para que você entenda melhor como funciona, uma pessoa com ‘mindset fixo’, ao pensar em mudança, dirá frases como: “É fácil, já fiz isso outras vezes”, ou seja, ela acredita que basta apenas ter força de vontade, ser firme, que terá êxito. Portanto, se formos fracos e não tivermos força de vontade, não seremos capazes. Essa forma de pensar é um grande erro, pois pessoas que pensam assim, frequentemente, acabam por se mortificar quando não conseguem o resultado que esperavam, gerando desmotivação.

Bom, se uma pessoa com ‘mindset fixo’ pensa dessa forma, então como seria com uma pessoa com ‘mindset de crescimento’? Uma pessoa com ‘mindset de crescimento’ compreende que, para ter êxito, será necessário APRENDER e PRATICAR estratégias que funcionem para elas. As pessoas com este ‘mindset’ entendem que é preciso haver planejamento e pensar ativamente na MANUTENÇÃO, sim, é preciso cuidar dos detalhes, fazer revisões, às vezes mudar a estratégia, e principalmente, manter os resultados obtidos.

Uma característica importante no ‘mindset de crescimento’ é que eles enxergam o fracasso de forma diferente, como APRENDIZADO. As perguntas que fazem a si mesmos é: “O que eu posso aprender com isso?”; “O que posso fazer da próxima vez que enfrentar uma situação parecida?”.

Pessoas com ‘mentalidade de crescimento’ podem ser responsáveis pelo desenvolvimento de outras pessoas, como exemplo podemos citar os professores, pois estes profissionais, quando possuem um ‘mindset de crescimento’, adoram aprender! E ensinar é uma maneira maravilhosa de aprender. Aprender sobre as pessoas, e como elas funcionam, sobre a matéria, sobre si mesmos e sobre a vida. Os professores com mentalidade de crescimento não enxergam os alunos como ‘talentos natos’, não são julgadores, eles acreditam que todos temos capacidade para desenvolver novas habilidades, apenas precisamos descobrir a melhor forma de fazê-lo.

Imagine uma criança com dificuldade de aprendizagem, este professor não desistirá dele, irá buscar a melhor forma de desenvolver as habilidades deste aluno, buscará recursos diferentes. Este professor será um incentivador, um motivador!

Na minha área de atuação, neuropsicopedagogia e psicopedagogia, acreditamos que TODOS PODEM APRENDER, mas a forma de ensinar é que precisa ser adaptada de acordo com a necessidade do indivíduo, acreditamos no desenvolvimento das pessoas.

E aí, já identificou que tipo de mentalidade você desenvolveu? Agora que você tem uma noção do que seria uma mentalidade de crescimento, a decisão é sua para escolher que direção deseja seguir e espero que este artigo mude a forma como você enxerga as pessoas e a você mesmo, incentivando a desenvolver uma mentalidade de sucesso em todas as áreas da sua vida. Também quero incentivá-lo a ler o livro citado, pois ele contém informações mais detalhadas e aprofundadas que certamente o ajudará em seu desenvolvimento pessoal e profissional.

Cristiane Saraguci – Coach Pessoal e Profissional / Neuropsicopedagoga

Afinal, o que significa “Learnability”?

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Se tem uma coisa que aprendemos na pandemia é que tudo pode mudar rapidamente e precisamos estar preparados para essas mudanças. E falando em mudanças, estamos no século XXI, portanto tem muitas novidades por aí! Você está preparado para tudo que está previsto para os próximos anos?

Pois bem, hoje eu vou falar sobre um tema muito atual e importante, uma habilidade que devemos buscar desenvolver, pois é muito valorizada profissionalmente, a “learnability”.

‘Learnability’, uma expressão inglesa, é um conceito formado a partir das palavras ‘aprender’ (to learn) e ‘habilidade’ (ability). Quando traduzimos temos: ‘capacidade de aprender’ ou ‘capacidade de aprendizagem’. Ou seja, refere-se a habilidade de aprender sempre e de se atualizar conforme a demanda do trabalho, por isso é tão valorizada profissionalmente.

Essa habilidade é essencial nos dias atuais, pois estamos vivendo tempos de mudanças rápidas, grandes avanços tecnológicos acontecendo em uma velocidade jamais vista, além de muito conhecimento disponível. Diante desse cenário, precisamos nos adaptar a todas essas novidades para conseguirmos nos manter relevantes no mercado de trabalho.

Quando falamos na ‘capacidade de aprender’, também nos referimos ao planejamento desse aprendizado, pois mediante a grande quantidade de conhecimentos disponíveis atualmente, existe o risco de perdermos o foco, navegarmos em vários assuntos diferentes, em mídias diferentes e conhecimento mesmo, nada. É preciso estabelecer prioridades, manter o foco em alguma habilidade específica que precisamos desenvolver e escolhermos com atenção o melhor meio para termos acesso a esse conhecimento, a relevância da fonte precisa ser levada em consideração na hora da escolha, pois conhecimento exige ‘profundidade’.

Muitas organizações investem em educação e capacitação, mas com a intensificação das mudanças no mercado e na sociedade em geral, para se manter relevante, é fundamental que haja disponibilidade e abertura para aprender constantemente. Inclusive, se abrir para aprendizados em áreas fora da zona de conforto, pois as inovações acontecem muitas vezes quando existe uma junção de conhecimentos advindos de áreas diferentes. Você pega conhecimentos na área da educação, por exemplo, e junta com tecnologia, o que temos? Jogos, aplicativos, plataformas de aprendizagem etc.

Entenda, o aprendizado ao longo da vida não é uma tendência, mas um imperativo para os tempos atuais!

É necessário que tanto as organizações como as pessoas aprendam a trabalhar com agilidade para resolver problemas complexos de nossa sociedade atual; as relações de confiança e a colaboração são essenciais; uma gestão humanizada e que visa o desenvolvimento integral do sujeito é o que manterá a organização relevante neste mercado cada dia mais competitivo.

E para finalizar, não podemos esquecer das capacidades socioemocionais, que também precisam estar sempre em nosso planejamento de aprendizado constante. A empatia, a habilidade de trabalhar em equipe e administrar o tempo e adaptabilidade, estão em alta, são as capacidades chamadas de soft skills, que apesar de não pertencerem ao núcleo técnico e formal do aprendizado, estão cada vez mais sendo exigidas dos profissionais.

Texto de: Cristiane Saraguci

Envelhecimento e Cognição

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

De acordo com o IBGE, a população brasileira superou a marca de 30,2 milhões de idosos em 2017. Você pode conferir esses dados no site do IBGE, no link https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/20980-numero-de-idosos-cresce-18-em-5-anos-e-ultrapassa-30-milhoes-em-2017 . Esse aumento não é um fenômeno brasileiro, mas uma tendência mundial, devido ao aumento da expectativa de vida e a taxa de fecundidade, pois o número médio de filhos por mulher vem caindo.

Essa é a tendência nas próximas décadas, podemos chegar ao marco de 66,6 milhões de idosos até 2050. O problema é que tais estatísticas sugerem que a sociedade não está apta a lidar com o crescimento e as demandas desse grupo populacional específico e que é necessária uma mudança cultural e educacional, voltada à valorização da pessoa idosa.

Quando falamos em envelhecimento saudável, as perdas cognitivas não chegam a comprometer a funcionalidade do indivíduo, portanto é importante focarmos nossos esforços em criarmos condições para que essa população seja cuidada e consiga envelhecer da melhor maneira possível. Diante do cenário apresentado, serão necessárias reformas e incrementos importantes em áreas vitais, como a saúde e a infraestrutura urbana, melhorando e ampliando o atendimento ao idoso na rede de saúde, o que inclui a preparação de profissionais voltados para esse público.

Ao contrário do que muitos acreditam, o declínio cognitivo do idoso, embora seja esperado, ocorre de forma heterogênea e está associado às diferenças culturais, aos hábitos de vida adotados ao longo de sua história e aos fatores ambientais, socioeconômicos e genéticos, que influenciam na cognição e seus desdobramentos.

Um erro muito comum é o afastamento dessas pessoas de suas atividades cotidianas, deixando-as ociosas, sem que haja uma substituição, o que contribui para um declínio de sua atividade cognitiva, e, portanto, na redução de sua qualidade de vida. É importante mantê-los ativos, de acordo com suas capacidades e limitações, respeitando suas preferências, para que sintam-se motivados a participar das atividades individuais ou em grupo, além de se sentirem úteis e parte da sociedade.

Alguns profissionais que podem colaborar para manter a mente do idoso ativa é o neuropsicopedagogo e o psicopedagogo, uma vez que eles são especialistas no aprender e podem contribuir desenvolvendo estratégias de aprendizagem, promovendo a reabilitação do idoso que sofreu comprometimentos funcionais cognitivos, além de desenvolver e aplicar atividades de estimulação cognitiva, ou seja, trabalhando na prevenção do declínio cognitivo. Inclusive existem profissionais que trabalham a domicílio, quando existe alguma dificuldade de deslocamento do idoso.

Como você pode perceber, é evidente que o cérebro do idoso precisa de estimulação a todo momento e não somente na ausência de saúde física ou mental. Porém cabe a nós criarmos condições para que essa estimulação aconteça efetivamente, pois um dos fatores que mais prejudica a qualidade de vida desse público é o declínio cognitivo.

Se você tem um idoso na família e gostaria de ajuda-lo a envelhecer de forma saudável, minha orientação é que você busque por projetos em sua cidade voltados para esse público. Existem projetos que focam na saúde física e mental da terceira idade e muitos deles sem custo algum. Vamos cuidar dos nossos idosos!

O fantasma que nos ronda: analfabetismo funcional

Imagem de Evgeni Tcherkasski por Pixabay

Provavelmente você já deve ter ouvido ou lido alguma coisa sobre o assunto que abordarei aqui, o analfabetismo funcional. O que lemos, como lemos e por que lemos são fatores de mudança no modo como pensamos, mudanças essas que prosseguem hoje em um ritmo acelerado. Em seis milênios a leitura se tornou o fator catalisador de transformação do desenvolvimento nos indivíduos e nas culturas letradas.

A qualidade de nossa leitura não é somente um índice da qualidade de nossos pensamentos, é o melhor meio que conhecemos para abrir novos caminhos na evolução cerebral de nossa espécie. Há muito em jogo no desenvolvimento do cérebro leitor e nas rápidas mudanças que caracterizam atualmente nossas sucessivas evoluções. Basta olharmos pra nós mesmos e analisarmos como a qualidade de nossa atenção mudou à medida que lemos mais e mais em telas e recursos digitais.

Segundo o Inaf – Indicador de analfabetismo funcional, em 2018 o Brasil contava com 30% de analfabetos funcionais e 34% de alfabetizados em nível elementar, que apesar de não se enquadrarem no nível de analfabetos funcionais, eles apresentam importantes limitações em suas habilidades   de alfabetismo. Apenas 12% dos brasileiros alfabetizados alcançam o nível de proficiência. Esses números são alarmantes!

O número de analfabetos no Brasil diminuiu nos últimos 15 anos, porém o analfabetismo funcional ainda é um fantasma que nos assombra, inclusive entre os estudantes do ensino superior, o que demonstra que não tem relação apenas com a baixa escolaridade. Por isso é importante um debate entre diversos grupos sociais responsáveis por desenvolver um novo parâmetro educacional a partir da discussão de causas e efeitos do Inaf, desenvolvendo métodos que priorizem o letramento.

O trabalho em conjunto entre pais e professores é fundamental. Engana-se quem acredita que cabe apenas à escola o papel de alfabetizar e letrar, visto que o letramento é uma prática presente em diversas situações do cotidiano, envolvendo não apenas uma leitura tecnicista de textos, mas também o desenvolvimento da criticidade e capacidade de elaborar opiniões próprias diante dos conteúdos acessados. A aprendizagem deve ser universalizada, propiciando assim que todos os leitores atinjam o nível pleno da alfabetização funcional.

Outro ponto fundamental é o hábito da leitura, a família contribui muito com o letramento quando incentiva a criança a ler desde pequena e conversa com ela sobre o texto lido. Os hábitos são construídos no dia a dia e não apenas no ambiente escolar. Quando a criança convive na família com pessoas que dão exemplo e valorizam a leitura esse é um fator motivador importante, que serve como referência pra ela.

Minha orientação é que as famílias estabeleçam rotinas, com horários definidos para sono, alimentação, ociosidade (aqui a criança pode escolher a leitura como forma de relaxamento, com leituras que lhe agradem), TV, estudo, uso do celular entre outros, de acordo com a realidade familiar. E hoje temos como controlar o uso do celular através do “controle de pai e mãe” onde definimos o horário em que será utilizado, fora desse horário o celular permanece bloqueado.

E não esqueçam, a fluência de leitura e a compreensão são fundamentais para atingir o nível de proficiência no letramento e uma forma de contribuir para que a criança desenvolva as habilidades necessárias é incentivando a leitura de livros, revistas, revistinhas entre outros, despertando o interesse e o prazer na leitura.

Os efeitos da música no nosso cérebro e nas nossas emoções

Imagem de Pezibear por Pixabay

Você já percebeu como a música provoca emoções e desperta lembranças em você? A música tem esse poder de provocar uma série de respostas do corpo humano. Ouvir música não é apenas lazer, pode ter efeitos terapêuticos, além de ser utilizada como parte de estratégias para estimular áreas do cérebro que podem despertar o potencial de aprendizagem.

De um lado temos a neurociência, que trata da objetividade dos dados e dos sinais que mapeiam o funcionamento cerebral. De outro, temos a música, “que não pode ser entendida sem levarmos em conta a subjetividade, o envolvimento lúdico e a transitividade que caracterizam a arte”, explica Mauro Muszkat, em artigo da revista Literartes. Nosso corpo “dança conforme a música”, nosso batimento cardíaco, frequência respiratória e nossos ritmos elétricos cerebrais mudam. Ou seja, a música não é apenas processada no cérebro, mas afeta o seu funcionamento, inclusive intensificando as capacidades linguísticas.

Você já percebeu como as crianças pequenas se expressam melhor através da música? Isso acontece porque ela é uma ferramenta poderosa no desenvolvimento das crianças, estimulando a linguagem, a socialização, a expressão corporal e emocional, além de ser uma forma lúdica de ensinar diversos conceitos, por isso é tão utilizada como instrumento pedagógico nas escolas de educação infantil. Inclusive, crianças que possuem algum tipo de disfunção cerebral, podem se beneficiar com o uso da música como instrumento de intervenção terapêutica.

O estímulo ao cérebro musical aumenta a flexibilidade mental e a coesão social. Existem tratamentos que utilizam a música como ferramenta principal há séculos. Como exemplo de recursos utilizados podemos citar a dança e os jogos musicais, eles potencializam as técnicas de restabelecimento físico e cognitivo.

Observe como a música tem um efeito poderoso sobre os seres humanos, se você já participou de treinamentos de alta performance, cultos religiosos ou qualquer tipo de reunião que se tenha como objetivo ensinar, estimular ou impactar pessoas, lá estava ela, a música. Nas academias as músicas são mais agitadas, o objetivo é nos dar energia para superarmos nossos limites. Já nos cultos religiosos elas mexem com nossas emoções e nos deixam mais abertos para ouvir o que será ensinado. E nos treinamentos de alta performance a música pode manter todos “ligados” e cheios de energia para aguentar horas e horas intensas de treinamento, assim como tranquilos e calmos, dependendo do objetivo.

Como você pode perceber a música não é utilizada apenas como diversão, mas ela pode influenciar pessoas, alterando seus estados de humor, ensinando e modificando o cérebro, inclusive ajudando na retenção de textos na memória, um famoso método mnemônico. Já percebeu como algumas letras parecem ter um efeito de “cola” na mente? Por mais que você tente não pensar nela, aquele refrão fica ecoando nos seus pensamentos.

Sabendo de tudo isso só nos resta aproveitar este recurso maravilhoso a nosso favor. Comece a prestar atenção nas letras e melodias que você ouve no dia a dia e observe se ela está de acordo com seus objetivos e com o estado mental e emocional que você precisa ou deseja. Afinal, a vida é uma música!

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