Programação Neurolinguística e Aprendizagem

Podemos dizer que a aprendizagem está relacionada as experiências que temos na vida, ela é um processo constante de mudança onde acabamos adaptando o nosso comportamento.

Podemos dizer que a aprendizagem está relacionada as experiências que temos na vida, ela é um processo constante de mudança onde acabamos adaptando o nosso comportamento.

A PNL, Programação Neurolinguística, considera que aprendemos por meio de programas neurolínguisticos, ou seja, que construímos mapas cognitivos dentro do nosso sistema nervoso central, o qual chamamos de cérebro, conectando-os com observações do ambiente e respostas comportamentais. Os mapas cognitivos são construídos por influência da linguagem e de outras representações que ativam padrões coerentes no sistema nervoso.

Podemos citar três ações importantes para produzir melhores resultados:

  1. Pensar (Neuro): conhecer e analisar o fato;
  2. Linguística: o uso da linguagem para organizar e formar pensamentos (internamente) bem como para nos comunicarmos com as outras pessoas;
  3. Programação: a maneira de organizar as ideias e nossos padrões de pensamento.

Para aprender o cérebro usa diversas estratégias e aptidões que visam acelerar o processo e melhorar o desempenho com o menor gasto energético possível. Existem duas áreas que se tornam constantes: o estabelecimento de metas e a metacognição que é a capacidade de observar e tornar consciente o próprio processo de pensamento enquanto realizamos as tarefas. Um exemplo é o ato de dirigir, quando adquirimos prática não precisamos gastar muita energia pensando em qual movimento realizar, eles acontecem de maneira automática, ou seja, ocorreu uma automação dos movimentos.

Vamos relembrar alguns pontos fundamentais na aprendizagem:

Emoções: já citei em vários artigos que as emoções são fundamentais para a aprendizagem, elas são “a cola da memória”.

Intenção de Relembrar: a intenção de aprender é uma atitude positiva global que dispara outras atitudes como prestar atenção, aprender certo, esforçar-se para aprender.

Formação anterior: nosso repertório facilita a aprendizagem, pois quanto mais se aprende, mais facilidade temos de aprender. O velho é a chave para o novo.

Relaxamento: stress, tensão, medo e preocupação são os piores estados para a aprendizagem acontecer.

Os nossos sentidos são fundamentais no processo de aprendizagem e cada um de nós possui um tipo de sistema representacional que facilita esse processo. Ele pode ser: visual, auditivo, cinestésico e digital. Você sabe qual é o seu? Abaixo segue algumas características de cada sistema:

Visual: basicamente faz uso da visão para obter e reter informações. O indivíduo visual gera imagens o tempo todo e sua interação com o meio é sempre pela observação, por isso sua memória fotográfica é muito boa, gosta de anotar, escrever, produzir esquemas, gráficos e desenhos.

Auditivo: seu ponto forte é ouvir o outro, o auditivo aprende ouvindo, geralmente lê em voz alta e repete o que escuta para memorizar.

Cinestésico: aprendem executando, colocando em prática. Preferem ação e movimento, gostam de tocar as pessoas e gesticular, pois sua referência está no sentir.

Digital: maneira de pensar usando palavras e falar consigo mesmo (diálogo interno), tende a ser mais racional e lógico, pergunta muito, precisa de informações e fatos, grande capacidade analítica. São pessoas que estão se mexendo, conversando e ao mesmo tempo conversando consigo mesmas.

Com essas informações você pode melhorar seu desempenho e ajudar pessoas com dificuldade de aprendizagem, pois a escolha dos recursos corretos será fundamental para reter melhor os conhecimentos.

Liderança e Clima Organizacional

Quando falamos em clima organizacional vários fatores influenciam positivamente ou negativamente. Entre os principais fatores estão os relacionamentos em equipe, desempenho, o estilo de liderança e vida pessoal.

E o que desencadeia um clima organizacional desfavorável? Bom, neste ponto encontram-se a frustração, falta de integração com os colegas de trabalho, falta de autonomia, falta de retenção de talentos e pouca adaptação às mudanças.

Existe uma correlação entre clima e cultura organizacional. A cultura acompanha a organização durante toda a sua existência, porém o clima pode variar de acordo com o momento, e principalmente a percepção do indivíduo em relação à organização.

O clima organizacional está relacionado à percepção que os colaboradores têm em relação ao ambiente de trabalho, bem como liderança e relacionamento interpessoal. E o ponto principal, é claro, a liderança! O comportamento do líder e suas atitudes refletem diretamente no clima e consequentemente no comportamento da equipe.

Quando as instituições realizam uma pesquisa de clima, alguns pontos são essenciais para análise: o entendimento da missão; crença e valores; chefia e liderança; relações interpessoais; salários e benefícios. Com uma análise desses elementos é possível elaborar um planejamento eficaz.

Existem pessoas em cargos de chefia que não utilizam suas competências de liderança. Como assim? É simples, sempre que alguém procura influenciar o comportamento de outro indivíduo ou grupo, há liderança. Porém, em muitos casos, a chefia acaba aprendendo a conduzir as pessoas de forma aleatória e desordenada, atuando por ensaios e erros.

Podemos citar quatro estilos de liderança: determinar, persuadir, compartilhar e delegar. A escolha dependerá do grau de maturidade dos liderados.

Outro ponto fundamental no mundo contemporâneo é um novo modelo de gestão que englobe: domínio pessoal, modelos mentais, visão compartilhada, aprendizagem em equipe e quinta disciplina. Não conseguirei aqui detalhar cada um desses itens, por isso te sugiro pesquisar mais sobre o assunto.

Vou me ater a quinta disciplina, pois ela sugere um modelo de gestão com o conceito de “organização que aprende”, ou seja, aquela em que novos padrões de pensamento são frequentemente fortalecidos e as pessoas aprendem a gerar o resultado que desejam. Ela surge para quebrar paradigmas e revolucionar o ambiente corporativo, pois propõe maior liberdade aos anseios coletivos, estimulando o trabalho e equipe, descentralizando as decisões da gerência e buscando um planejamento a longo prazo.

O líder, portanto, tem o papel fundamental no clima organizacional, ele é a principal engrenagem para o bom funcionamento da organização. O grande desafio é quebrar os paradigmas, valorizar a equipe e o pensamento sistêmico, gerar uma visão compartilhada e divulgar o conceito de organização que aprende. Por isso a importância de estar sempre treinando e reciclando os conhecimentos da sua equipe, principalmente da liderança. Empresas que não se atualizam ficarão para trás e enfrentarão grande dificuldade de sobreviver nesse mercado tão competitivo.

Leitura e desenvolvimento cognitivo

Você sabia que a leitura não é um processo cognitivo natural para o cérebro? Pois é, ela necessita de estímulos externos constantes. Toda criança, independente de cultura, balbucia, engatinha, começa a andar e falar, consegue reconhecer pistas visuais, orais que traduzem as emoções. Ou seja, algumas habilidades são naturais, porém ler e escrever não é.

A principal forma de estimular a leitura e a escrita é através da influência dos pais e familiares, os livros também podem ser inseridos junto com os brinquedos como mais um objeto de prazer, de exploração do mundo.

Ler é uma atividade cognitiva complexa e desafiadora, por isso que geralmente, se os pais não influenciarem, poucas serão as crianças e adolescentes que pegarão “gosto” pela leitura. Por ser uma atividade considerada difícil é importante que haja repetição por várias vezes até que seja dominada.

A interação na leitura em família é muito benéfica para o cérebro, ajuda na superação das dificuldades cognitivas e/ou socioemocionais. A leitura ajuda a desenvolver diversas habilidades como linguagem, inteligência, abstração, imaginação, criatividade, habilidade de mudar de pensamento, entre muitas outras.

Além de ajudar a desenvolver a cognição, a leitura e a escrita têm uma função social muito importante, pessoas alfabetizadas são inseridas na sociedade. Imagine a situação de uma pessoa não alfabetizada, ela enfrentará grandes dificuldades ao tentar ler a bula de um remédio ou ler um quadro de avisos, além de limitar suas possibilidades de trabalho. Ler e escrever no mundo contemporâneo é fundamental e um direito de todos.

A infância é um período crítico para esse aprendizado e o cérebro da criança passa por fases no seu desenvolvimento, as quais Piaget especifica bem essas fases, você pode conferir em um dos meus artigos anteriores. Geralmente a criança está preparada para a alfabetização por volta dos 5 a 6 anos de idade, ou seja, nesta fase ela consegue decifrar os símbolos da linguagem escrita.

A plasticidade cerebral é maior na infância, por isso dizemos que as crianças são uma esponjinha, o que nos propormos a ensiná-las elas aprendem com facilidade. Porém quanto mais velhos, menor a plasticidade e maior a dificuldade, sendo mais trabalhoso e cansativo aprender a ler e escrever quando jovens ou adultos.

Crianças que deixam de ir para escola nesse período importante para o aprendizado e que não são estimuladas quando pequenas terão lacunas enormes em seu desenvolvimento, que acarretará em prejuízos importantes e dificuldades de aprendizagem na adolescência e/ou na fase adulta.

Sendo assim, se você convive com alguma criança, estimule o hábito da leitura, pois ele influenciará positivamente em seu desenvolvimento cognitivo e social, além da atenção que você demonstrará ao dedicar um tempinho para interagir com ela de forma afetiva e divertida.

O tempo de aprendizado de cada um

Vivemos atualmente em uma sociedade veloz, as informações chegam em questão de segundos, a tecnologia transformou a forma de nos comunicarmos e nos relacionarmos. No mundo corporativo o volume de informações e aprendizados é enorme, as pessoas têm pressa e nesse cenário, que chega a ser caótico, as pessoas se tornam cada dia mais impacientes e menos tolerantes, querem respostas rápidas, querem resolver as coisas na hora e aí daqueles que levam um tempo maior para absorverem as informações.

Quando falamos em aprendizado precisamos ter em mente que o conhecimento precisa de um tempo para ser absorvido por cada um de nós, somos diferentes e podemos aprender de maneiras diferentes. Algumas pessoas são auditivas, aprendem melhor pelo ouvir, outras são visuais, aprendem olhando, outras são cinestésicas, precisam tocar/sentir e outras ainda aprendem de todas essas formas juntas.

Imaginem então, neste contexto, nesta sociedade que exige tanto de todos nós, as pessoas atípicas ou deficientes, quando elas serão verdadeiramente incluídas? Se não começarmos a desacelerar e realmente nos importarmos uns com os outros, respeitando o tempo de aprendizado de cada um, teremos muita dificuldade em cumprir o nosso papel para conquistarmos uma sociedade mais justa e inclusiva.

Se observamos com atenção podemos perceber nas falas das pessoas como a maioria prega o “capacitismo”. Se achamos que alguns são capazes, também achamos que outros são incapazes, concordam? Uma pergunta: quem são os incapazes? Essa pergunta precisa nos causar um incômodo.

Todos nós temos nossas experiências e aprendizados de vida, portanto temos algo para ensinar e aprender. Não nascemos sabendo tudo e com certeza não morreremos sabendo tudo, concordam? Então por que somos tão duros e algumas vezes até exigentes com outras pessoas, com nossas crianças, com nossos familiares, com nossos colegas de trabalho?

Acredito que precisamos nos humanizar novamente, perdemos algo no meio do caminho. A tecnologia nos trouxe grandes avanços em diversas áreas, porém parece que também tivemos grandes perdas em outras áreas muito importantes, como a dos relacionamentos, do contato humano, pois de certa forma perdemos muito da nossa sensibilidade para perceber o outro, para respeitar o tempo de cada um e principalmente, para enxergarmos o outro como um ser humano capaz de se desenvolver e evoluir, no seu tempo e a seu modo, sem pressa, porém continuamente.

Se queremos uma sociedade melhor para nossos filhos, para nossas crianças, para nossos netos, precisamos começar a mudar nossos comportamentos e maneira de pensar hoje, pois a palavra convence, mas o exemplo arrasta. Não existe melhor maneira de ensinar do que “sendo” aquilo que buscamos. Se cada um de nós fizer a sua parte para uma sociedade mais inclusiva, que respeita as diferenças e o tempo de cada um, certamente começaremos a colher frutos mais doces. E não se engane, comece pelas pessoas próximas a você, na sua casa, no seu bairro e no seu trabalho.

Eu tenho fé que podemos ser melhores, muito melhores do que somos hoje, como seres humanos, como sociedade, como homo sapiens que somos!

Vamos falar sobre escola inclusiva?

Para iniciar, a inclusão é um processo que visa trazer para a sociedade grupos de pessoas que foram marginalizadas historicamente.

No âmbito educacional, a escola não pode ser um espaço neutro, ela é um espaço democrático, político na vida de todos. As pessoas com algum tipo de deficiência passam do lugar de sujeito oprimido para um sujeito crítico e reflexivo. Portanto, não basta a escola aceitar a matrícula das crianças com necessidades especiais, é preciso trabalhar para desenvolver as potencialidades de todos os alunos.

Neste ponto entra a importância do trabalho psicopedagógico e neuropsicopedagógico, uma vez que o objeto de estudo desses profissionais é a aprendizagem humana. Nós podemos ajudar a comunidade escolar a lidar com a diversidade, agregando novos valores, levando alunos e professores a acreditarem que todos somos capazes de aprender.

As potencialidades de cada um precisam ser descobertas e é o meio social que vai ajudar essas pessoas a descobrirem as suas e a desabrocharem.

Historicamente falando nunca fomos capazes de aceitar muito bem as diferenças, sejam elas sociais, culturais, étnicas, físicas ou religiosas. Ainda temos uma grande batalha pela frente, mas aos poucos esses temas vêm sendo discutidos e como sociedade estamos nos reorganizando e buscando transformações. O ser humano já adotou diversas visões de si mesmo: ser primitivo, ser pecador ou puro, ser iluminado, ser racional, e enfim começa a se enxergar e ser enxergado como ser humano. A psicologia e a pedagogia têm contribuído e muito com essa mudança de olhar.

Para a inclusão escolar realmente acontecer, primeiramente é preciso desfazer a ideia de homogeneidade e ter consciência das diferenças, reconhecendo que a aprendizagem é algo individual, ou seja, como indivíduos temos potenciais diferentes e aprendemos de maneiras diferentes. Nossa genética e história de vida influenciam na maneira como aprendemos. Respeitar as diferenças é também respeitar o ritmo de aprendizagem de cada um, lembrando que a aprendizagem é para a vida toda, é um exercício constante de renovação.

Um termo muito utilizado atualmente é o “learnability”, que vem da ideia de aprender sempre, ou seja, por toda a vida, principalmente na sociedade complexa que vivemos atualmente, onde as mudanças são constantes.

Mas voltando ao tema da inclusão, a Declaração de Salamanca diz que: “A escola deve ajustar-se a todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, sociais, linguísticas ou outras”. A inclusão demanda um novo olhar do professor, novas práticas e mudanças de atitude. Aqui entra a resistência de alguns professores, pois é preciso sair da zona de conforto e desbravar um mundo até então desconhecido.

Um psicopedagogo ou neuropsicopedagogo dentro da escola poderá avaliar os alunos com dificuldade de aprendizagem e identificar o que está dificultando esse processo de aprender. No caso dos alunos com algum tipo de deficiência, esses profissionais poderão orientar os professores quanto às necessidades específicas, adaptações curriculares, metodologias adequadas, habilidades e dificuldades do sujeito, como também ajudar esse aluno com deficiência em seu processo de aprendizagem, criando estratégias que possibilitem e favoreçam o desejo de aprender.

Como ajudar seu filho na adaptação escolar

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E de repente parece que você acordou e chegou o momento de matricular seu filho na escola de educação infantil. É uma mistura de sentimentos! Bate aquela insegurança, nos questionamos se eles estão preparados e se irão se alimentar, são tantas dúvidas.  Mas acredite, no final tudo dá certo.

Nos anos de experiência com a educação infantil vivencie todas as crianças se adaptarem, o que diferenciava era apenas o tempo de adaptação, algumas tinham mais facilidade e outras demandavam um pouco mais de tempo.

A maior dificuldade da criança que está ingressando na vida escolar é a separação com a família. E para falar a verdade, é uma adaptação para a família também, principalmente para a mães em tempo integral. Nós mães temos um instinto natural do cuidar e proteger nossos filhos, por isso a insegurança quando temos que confiar em outras pessoas para fazer o nosso papel.

Esse é um ponto fundamental para a adaptação da criança, as famílias precisam trabalhar essa confiança através de uma parceria com a escola e os educadores. O período de adaptação é muito importante nessa relação que irá perdurar por alguns anos.

A criança precisa se sentir segura, por isso a importância da família conversar bastante com a criança, mostrando os pontos positivos e adiantando parte do que ela vai vivenciar na escola e principalmente explicando que será uma separação temporária, que logo vão se encontrar novamente. Uma adaptação bem feita também inclui a família, aliás ela é o ponto fundamental nesse período.

Segue abaixo algumas dicas que irão ajudar na adaptação do seu filho:

  1. Atenção à rotina: as crianças pequenas precisam de rotina para se sentirem seguras e confortáveis. Procure ajustar os horários de sono e horário de acordar antes do início das aulas;
  2. Prepare seu filho de maneira gradual: antes de iniciarem as aulas faça o caminho até a escola, mostre para ele onde ele vai estudar, isso diminui a ansiedade da criança, pois ela está sendo preparada para aquele momento;
  3. Aprenda a lidar com o choro e a sua insegurança: ao deixar a criança na escola pode ocorrer o choro, que é natural, uma vez que ela está sendo deixada em um ambiente que não é conhecido por ela, além da dor da separação inicial com a família. Mantenha-se firme, procure não demonstrar na frente da criança sua insegurança, resista à tentação de voltar e levar a criança embora, pois isso só irá prolongar o sofrimento inicial dela, além do reforço negativo que fará ela associar o choro a possibilidade de ser levada embora dali;
  4. Demonstre interesse pelo dia da criança: ao retirar a criança na escola pergunte como foi o dia dela, demonstre interesse pelo novo ambiente, isso passa segurança para ela. Identifique qual assunto interessa mais e faça mais perguntas sobre ele.

Cada criança reage de uma forma às mudanças, algumas recebem de maneira mais tranquila e outras demandam um pouco mais de atenção e carinho. Mas o mais importante é que em casa ela se sinta segura e acolhida, que seja um lugar onde ela possa expressar seus sentimentos em relação as mudanças externas que está vivenciando, para que os sentimentos bons possam ser cultivados e os ruins possam ser trabalhados.

A Neuropsicopedagogia e a aprendizagem do autista

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Temos acompanhado um crescimento no número de crianças com necessidades especiais matriculadas no ensino regular, o que significa um grande avanço no nosso País, mas com isso cresce também a preocupação com a aprendizagem desses alunos, a capacitação dos profissionais, as intervenções e adaptações no currículo para atingirmos um objetivo maior que é a tão sonhada inclusão em sala de aula.

Neste artigo quero falar especificamente dos alunos autistas, ou seja, com Transtorno do Espectro Autista, o TEA. São grandes os desafios para que haja um avanço no aprendizado dessas crianças.

A aprendizagem dos alunos autistas é um desafio para os professores, pais e profissionais envolvidos no processo, uma vez que é necessário traçar estratégias individuais e personalizadas para cada criança, de acordo com a sua realidade e vivência, valorizando o seu potencial e viabilizando a aquisição de novos conhecimentos, integração social e desenvolvimento de novas habilidades.

A Neuropsicopedagogia busca contribuir potencializando o aprendizado dessas crianças através de intervenções dentro de um contexto terapêutico, buscando melhorar os aspectos cognitivos, linguísticos e sociais, além de favorecer a aprendizagem de alunos com TEA, uma vez que procura entender como o cérebro da criança aprende e processa as informações oferecidas. ajudando a elaborar programas adequados para a criança.

Um dos meios terapêuticos utilizado e que auxilia na aprendizagem da criança autista é o método ABA. A terapia ABA foi criada em 1968 por uma abordagem da psicologia e tem apresentado grandes resultados, pois observa e avalia o comportamento do indivíduo, no sentido de potencializar o aprendizado e promover o desenvolvimento e autonomia.

O trabalho Neuropsicopedagógico visa a criação de estratégias e utilização de recursos variados, como visuais, tecnológicos, musicoterápicos ou outros que se adequem melhor ao perfil da criança.

A atenção em relação a aprendizagem das crianças especiais é fundamental, pois requer flexibilidade e adaptações curriculares por parte dos professores. Uma grande aliada que pode ajudar nessa tarefa é a avaliação Neuropsicopedagógica, pois obtém dados do aluno com TEA para realizar um planejamento de atividades e ajuda na escolha de métodos que favoreçam o conhecimento desses alunos, auxiliando os professores, pais e mediadores.

Transtorno ou dificuldade de aprendizagem?

Quando dizemos que uma criança apresenta uma dificuldade de aprendizagem significa que algo está impedindo esse aprendizado. Todos temos capacidade de aprender, porém em algum momento algo pode nos atrapalhar.

É importante entender a diferença, pois uma dificuldade pode ser causada, por exemplo, porque a criança está com um problema de visão. Ao ir ao médico e passar a utilizar o óculos o problema de aprendizagem desaparece.

Outro ponto que interfere muito na aprendizagem é o emocional, pois a aprendizagem está diretamente ligada às emoções. Quando uma criança está passando por algo, por exemplo, na família, os pais se divorciando, perda de entes queridos ou qualquer outra situação que cause um desequilíbrio emocional, provavelmente seu desempenho escolar irá cair.

O que eu quero dizer com isso é que fatores externos interferem é muito na aprendizagem. Crianças felizes, com uma rotina estabelecida e motivadas, certamente terão um desempenho melhor.

E quando tudo está bem na vida da criança e mesmo assim ela apresenta dificuldade. Aqui a ajuda de um profissional especializado é essencial, para avaliar o que está acontecendo.

Algumas crianças apresentam transtornos específicos da aprendizagem. O próprio nome “transtorno” já sugere algo que não está bem, neste caso, neurologicamente. Os transtornos não têm cura, porém podem ser tratados e geralmente as pessoas aprendem a conviver com eles.l

Exemplos de transtorno são o TDAH, TOD, TEA e muitos outros. São casos que não podem ser diagnosticado através de exames de imagem, pois eles possuem sintomas comportamentais, onde o médico responsável pelo diagnóstico irá avaliar esses comportamentos para identificar se está relacionado com algum transtorno do neurodesenvolvimento.

Geralmente, para chegar ao diagnóstico, são feitos alguns exames para descartar outros fatores que podem estar desencadeando os comportamentos ou dificuldades, como exames auditivos, por exemplo. Também é comum que uma equipe multidisciplinar faça uma avaliação.

O importante nestes casos é buscar ajuda de um especialista, pois quanto antes essa criança for diagnóstica e obter ajuda, melhores serão os resultados do tratamento.

Os riscos da exposição as telas na infância

O uso de celulares, tablets e computadores é uma rotina diária na vida das pessoas. As crianças parecem já nascer sabendo utilizar os aparelhos, a facilidade que eles têm para manusear desde muito pequenos impressiona muitas pessoas.

A vida estressante dos adultos, a correria do dia a dia, principalmente nos grandes centros urbanos, faz com que alguns pais caiam na tentação de deixar as crianças entretidas em jogos e vídeos. Você certamente já presenciou diversas vezes cenas de adultos conversando enquanto as crianças estão hipnotizadas na tela do celular. E os pais agradecem esses minutos de paz!

É comum também observarmos mães alimentando os filhos enquanto ele está vidrado no celular. Afinal, se o objetivo é que a criança coma toda a comida e não reclame dos legumes, que mal deve haver nisso?

Ainda não existem estudos de longo prazo sobre o impacto do uso das telas por crianças, porém os estudos já indicam que o uso excessivo desses dispositivos tem causado prejuízos no desenvolvimento cognitivo, social e até no peso de crianças e adolescentes, uma vez que trocam as brincadeiras externas pelo sedentarismo, permanecendo sentados por mais tempo.

Como Neuropsicopedagoga e educadora infantil, posso afirmar que durante a primeira infância, período que vai do nascimento até os 6 anos de idade, a criança inicia as interações sociais que são importantes para o seu desenvolvimento saudável. É nessa fase que ela explora o mundo a sua volta por meio de estímulos sensoriais como cheiro, contato visual e troca de afeto. Sendo assim, a superexposição a telas restringe as possibilidades de interação das crianças pequenas. A experiência da tela na primeira infância é uma atividade solitária, sedentária e passiva na maioria das vezes, o que definitivamente não é nada saudável e prejudica o desenvolvimento da criança.

Um outro ponto é o desenvolvimento da criatividade, para que a criança desenvolva a capacidade de agir sobre o mundo ela precisa ser convidada a transformar o real por meio de atividades criativas. O que vemos na internet são jogos e vídeos que, no geral, são tarefas dirigidas que restringem as respostas que utilizam a imaginação, bem distantes das brincadeiras infantis de faz de conta ou das interações sociais que estimulam a interação com uma realidade mais concreta.

O uso excessivo de aparelho também pode prejudicar o sono das crianças, esse é um fator de atenção, pois prejudica o desenvolvimento cognitivo.

Se não temos como impedir que as crianças tenham acesso as novas tecnologias, é importante que os pais e educadores orientem sobre os riscos para que seu uso não comprometa sua saúde e segurança. Uma decisão sensata é entrar em acordo com as crianças sobre o tempo de uso. Hoje em dia temos os controles de pai e mãe que ajudam bastante. E para as crianças muito pequenas, de até 4 anos, o ideal é não expô-las as telas, pois o impacto negativo em seu desenvolvimento é muito grande.

A relação do letramento corporal com a aprendizagem

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Nos últimos anos temos percebido uma intensificação de alertas sobre a importância de manter uma atividade física, manter o corpo em movimento, com o objetivo de melhorar nossa saúde física e mental. O sedentarismo e a má alimentação têm causado grandes prejuízos à saúde da população mundial. E o problema vem se agravando ainda mais neste período de pandemia.

Primeiramente é importante entender o significado de “letramento corporal”:

Resolvi trazer este assunto, dando ênfase para a relação corpo e cognição, para que você entenda os impactos que uma vida sedentária tem no desenvolvimento cerebral. Uma das premissas do letramento corporal é que o desenvolvimento de qualquer dimensão humana, geralmente, terá um impacto em todas as outras dimensões, uma vez que são inter-relacionadas e interdependentes. Sendo assim, o letramento corporal pode ter efeitos significativos no desenvolvimento da cognição, da imaginação, do raciocínio e da aprendizagem geral.

Muitos autores se referem a corporeidade como fonte do intelecto. Desde que nascemos estamos ativos no mundo, percebendo e respondendo aos estímulos, como calor e frio, texturas, peso e relações espaciais. Sendo assim a competência motora está relacionada com boa parte da nossa aprendizagem durante a vida.

Quando nos deparamos com indivíduos que apresentam dificuldade de aprendizagem, um dos pontos que iremos investigar é como era a vida deste indivíduo desde o nascimento, pois podemos colher ali informações importantes para ajudá-lo na superação e remoção do que está impedindo seu aprendizado. Uma parcela destes indivíduos é encaminhada para terapia com Psicomotricista, isso porque, na avaliação, foi identificada uma defasagem no desenvolvimento motor, o que significa que não receberam os estímulos necessários para um bom desenvolvimento na primeira infância, e que isso acarretou prejuízos na aprendizagem e consequentemente na sua vida acadêmica.

Uma das nossas grandes aliadas nestes estudos é a neurociência, com isso a educação infantil passou a ser vista com outros olhos, pois entendeu-se a importância dos estímulos nesta etapa do desenvolvimento humano. Conseguimos entender melhor o funcionamento do cérebro e como nós aprendemos. Funciona assim, ao nascermos, a área sensório-motora do cérebro permite que a aprendizagem ocorra por meio da visão, audição, tato, paladar e do olfato, tendo como principal estímulo o movimento. Quando o recém-nascido se movimenta ele aciona os mecanismos de estimulação do cérebro. Para contextualizar, é como se ele dissesse assim: “Ei, perceba o ambiente a sua volta!”

A negligência na oferta destes estímulos na infância pode causar atrasos e deficiências no desenvolvimento do indivíduo. O cérebro do bebê, ao nascer, é composto de várias células desconexas. Para que as conexões sejam feitas o cérebro precisa ser estimulado, e o estímulo essencial para o desenvolvimento cerebral é a atividade física, ou seja, os movimentos.

Se observamos o mundo em que vivemos hoje, com a tecnologia e todas as facilidades que o homem criou, como carro, cadeiras confortáveis, sofás e muitas outras coisas, na verdade, somos convidados a manter nosso corpo parado. E ainda temos que lidar com outro problema, que se tornou comum entre crianças e adolescentes, a ansiedade, a depressão e os déficits de atenção, além de muitos outros transtornos mentais.

Quero convidar você para uma reflexão a respeito deste assunto e uma mudança de atitude, principalmente se você tem criança em casa. Explore seu bairro, seus espaços de convivência, envolva outras pessoas, incentive seus filhos, movimente-se! Fará bem para sua saúde física e mental, além de ser uma grande aliada na sua aprendizagem e das pessoas que você convive.

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