Como ajudar a criança a desenvolver habilidades

Ajudar crianças e adolescentes a desenvolverem habilidades não é uma tarefa fácil, porém para ter sucesso nesse objetivo é preciso primeiro confiar que eles são capazes de realizar determinadas tarefas. Com certeza fazer por eles não é o melhor caminho.

Recentemente escrevi um artigo com o título “Não se aprende a andar de bicicleta olhando, se aprende andando”, esse é o caminho, para conquistar uma habilidade é necessário praticar, praticar e praticar.

Valorizar o esforço é muito importante para que a criança continue motivada. Uma dica importante é nunca elogiar a “inteligência” da criança, mas o “esforço” que ela fez para conquistar um determinado resultado.

Agora, e as habilidades sociais? As habilidades sociais são tão importantes de serem desenvolvidas, quanto as habilidades cognitivas e motoras. Essas habilidades ajudarão a criança a ter sucesso na vida em sociedade. É fundamental começar a desenvolver essas habilidades sociais desde a infância.

Alguns exemplos de habilidades sociais são: cooperação, capacidade de dividir, comunicação, empatia, capacidade de demonstrar gratidão e o respeito.

Ouve-se falar tanto em competitividade, porém a cooperação é uma palavra-chave hoje em dia. Saber trabalhar em equipe, lidar com pessoas e resolver problemas em conjunto, são habilidades que farão toda diferença na vida em sociedade. Na vida profissional, por exemplo, as conexões de uma pessoa influenciam muito as chances de ter sucesso.

Quando falamos em relações sociais a ajuda mútua é essencial, aliás o ser humano evoluiu e sobreviveu devido a sua capacidade de compartilhar e cooperar. A capacidade de dividir é muito valorizada e importante para o sucesso não só da sociedade, mas da espécie humana.

Outra habilidade importante é a comunicação, pois é através dela que conseguimos compartilhar boa ideias, nos fazermos entender e dialogar com outras pessoas.

A empatia é a capacidade de olhar para o outro, ela nos força e tirarmos o foco de nós mesmo e considerarmos a importância do outro indivíduo.

A capacidade de demonstrar gratidão, agradecer e reconhecer o esforço do outro para beneficiá-lo, é uma habilidade essencial para viver bem em sociedade.

E o respeito, que é a base dos relacionamentos interpessoais. Ensinar as crianças que cada pessoa é tão importante quanto ela mesma e que temos características diferentes, cada um é bonito do seu jeitinho, afastará seu filho de práticas como o bullying.

Algumas dicas para que você consiga ajudar a criança no desenvolvimento dessas habilidades: dedique tempo, valorize os esforços, dê feedbacks, ensine a colocar-se no lugar dos outros, ensine a autocrítica, incentive a interação social e estimule o bom uso de jogos e tecnologias.

O que são as janelas de aprendizagem?

A infância é um período muito importante no desenvolvimento humano, nos primeiros anos de vida aprendemos várias habilidades, aptidões e competências com muito mais facilidade, é o que chamamos de janelas de aprendizagem ou janelas de oportunidades.

As janelas de aprendizagem são períodos em que aprendemos determinadas habilidades e competências com mais facilidade quando somos expostos à estímulos e experiências para este determinado aprendizado.

Quando falamos nas janelas de aprendizagem, não significa que não aprenderemos determinas habilidades se não formos estimulados no tempo certo. Significa que podemos aproveitar essas janelas para alcançar a potencialidade máxima de certa habilidade. Por exemplo, se você comparar uma criança que estuda em uma escola bilíngue com um adulto que começa a aprender uma segunda língua é notória a diferença, o adulto precisará de muitas intervenções, exercícios, áudios e estímulos. A facilidade com que a criança aprende é impressionante. Isso se deve a plasticidade cerebral, que nas crianças é muito maior.

E quais seriam alguns destes períodos mais propícios (janelas de aprendizagem) ao desenvolvimento de determinadas habilidades?

  • Linguagem: 9 meses a 8 anos
  • Visão: 0 a 6 anos
  • Controle emocional: 9 meses a 6 anos
  • Símbolos: 18 meses a 8 anos
  • Habilidades sociais: 4 a 8 anos
  • Quantidades relativas: 5 a 8 anos
  • Música: 4 a 11 anos
  • Segundo idioma: 18 meses a 11 anos

Fonte: Doherty (1997 apud Bartoszeck 2007)

A herança genética, os cuidados e experiências vividas nos primeiros anos de vida têm efeitos importantes e cruciais sobre a aprendizagem, cognição, saúde física e mental por todo o ciclo da vida.     

É durante a infância que iremos repetidamente, pouco a pouco, nos especializando e ficando bons em algumas atividades, tudo dependerá das experiências ofertadas pelos ambientes em que vivemos. O tempo de exposição aos estímulos, com significados práticos e afetivos aliados a uma boa qualidade de vida, irão definir as aptidões e competências que serão desenvolvidas.

É importante que todas as crianças sejam estimuladas, principalmente as neuroatípicas, aproveitando essas janelas a favor do seu pleno desenvolvimento. Quanto mais precoce as intervenções iniciarem, maior será o desenvolvimento de novas habilidades.

O estresse e a ansiedade podem afetar a aprendizagem da criança

Você já tentou estudar em momentos que está preocupado, estressado ou ansioso? Certamente deve ter percebido que seu nível de atenção caiu bastante e com isso a retenção do conteúdo foi prejudicada. Pois é! O mesmo acontece com as crianças. O estresse e a ansiedade afetam negativamente a aprendizagem dos pequenos.

E não duvide, crianças também podem entrar em estados de estresse e ansiedade! São diversos os motivos, alguns deles: rejeição por parte dos colegas, excesso de responsabilidade, crises familiares, mudanças repentinas, insegurança, pressão excessiva devido ao desempenho escolar entre outros motivos.

Neste artigo quero levar informação e conscientização para que você que convive com crianças observe os sintomas e consiga ajudar da maneira correta ou procurar ajuda de um profissional quando for o caso.

Para que você entenda, quando estamos sob estresse e/ou ansiedade, uma série de reações químicas ocorrem em nosso cérebro. É exatamente isso que acaba interferindo na aprendizagem e eu vou explicar a seguir porque isso ocorre.

Temos em nosso cérebro o hipotálamo, em casos de estresse ele é ativado e sintetiza duas substâncias bem conhecidas: a adrenalina e o cortisol. Além disso ocorre a liberação de endorfina, que tem como principal função deixar o corpo menos sensível à dor.

E a ansidedade? Bom, ela está relacionada com os mesmos mecanismos, porém aqui entram mais duas partes, a amígdala e o hipocampo.

Observe que partes muito importantes do nosso cérebro são afetadas nessas situações. Para que você entenda, o hipocampo é responsável pelas nossas memórias, portanto em casos de estresse e ansiedade teremos sérios problemas no armazenamento das informações, impactando diretamente no aprendizado.

Podemos chamar essas reações que ocorrem de estado de “luta ou fuga”, pois o cérebro entende que existe algum tipo de perigo, mesmo que isso não seja real a mente lê dessa forma. Nestas situações o cérebro entende que é mais importante focar a atenção nessa provável situação de perigo do que no estudo, simples assim!

Nestas situações é comum também a reação em cadeia. Isso porque a criança poderá ter sua autoestima afetada, uma vez que começa a apresentar resultados ruins na escola. Com isso, ela pode começar a ter um sentimento de incapacidade diante das dificuldades. As crianças normalmente querem agradar os pais, quando isso não acontece acabam frustradas. Dependendo de como os adultos vão lidar com a situação, a criança pode levar isso para a vida adulta.

Sabendo de tudo isso, minha orientação é que não julguem precipitadamente o mal desempenho da criança, observe os sintomas e busquem a causa. Algo pode não estar bem na vida da criança, seja na escola ou em casa. É importante ter uma sensibilidade para perceber quando será necessário a intervenção de um profissional adequado, como um psicólogo ou psicopedagogo, por exemplo.

Use seu cérebro de maneira mais eficiente

Você sabia que seu cérebro possui duas maneiras de trabalhar? São eles o modo focado e o modo difuso. Muitos alunos, por mais que se esforcem, apresentam dificuldade de aprendizagem. O motivo pode ser apenas um modo errado de estudar. Vou explicar para você!

É importante entendermos como o cérebro funciona para saber usá-lo de maneira a beneficiar o nosso desempenho na hora de estudar. A princípio, os dois modos de pensamento do cérebro, focado e difuso, trabalham em parceria.

Vamos falar primeiro sobre o modo focado, suas principais características são:

  • Muito usado na aprendizagem;
  • O pensamento possui mais clareza;
  • Envolve concentração;
  • Uso de métodos racionais, sequenciais e analíticos;
  • Padrão de pensamento eficiente para usar padrões de pensamento ou resolução de problemas familiares e repetição.

Agora, e se você precisar de novas ideias no que você estiver trabalhando? É isso aí, o modo focado pode ser um inimigo e bloquear a sua criatividade. O ideal é você sair da sua zona de conforte e partir para o modo difuso, que é muito mais eficiente quando falamos em criatividade. Veja algumas de suas características:

  • Modo relaxado de repouso neural;
  • Visão panorâmica;
  • Permite fazer conexões inconscientemente, abordar conceitos novos; e
  • Criação.

Para seu cérebro entrar em modo difuso você precisa relaxar e deixar sua mente livre e depois redirecionar para o modo focado. Em outras palavras, para ativar esse modo de pensamento você só precisa deixar o problema de lado por um tempo.

Diz-se que Albert Einstein dava longas caminhadas pelo campo para ter mais clareza e insights sobre a Teoria da Relatividade. Portanto algumas maneiras de ativar o seu modo difuso são: caminhar, ouvir música, fazer pausar, nadar, ler, meditar, dançar entre outros.

O importante é você saber aproveitar os dois modos de maneira eficiente, pois eles são aliados. Controle o tempo entre os dois modos, pois o modo difuso pode ajudá-lo a trazer uma solução para um problema que você encontrou quando estava lá no modo focado. Tire o máximo da sua mente colocando em prática esse conhecimento, você sentirá uma grande diferença na sua maneira de aprender.

A importância do “faz de conta” na infância

 Aproveitando que acabamos de comemorar a Páscoa, uma data cristã que comemora a passagem da morte para a vida, a ressurreição de Jesus Cristo e que também conta com um personagem marcante no imaginário infantil, o tão esperado coelho da Páscoa, pergunto: que importância tem esse personagem e tantos outros na infância?

Claro, todos sabemos que alguns personagens estão relacionados ao marketing do consumo, mas neste momento quero trazer o aspecto positivo e a importância desse “mundo de fantasia” em que a criança vive.

O jogo de faz de conta surge por volta dos 2 a 3 anos de idade, com o aparecimento da representação da linguagem, pois nesse momento a criança começa a modificar o significado dos objetos, a expressar suas fantasias e a assumir papéis no contexto social. São momentos de livre expressão para as crianças e ajudam no desenvolvimento de várias habilidades como as motoras, as cognitivas, a linguagem e as sociais.

Em muitos momentos as crianças, enquanto brincam, imitam o cotidiano por meio da expressão das relações familiares e escolares. Ao brincar de faz de conta, a criança aprende a criar símbolos. É alterando o significado dos objetos, das situações e criando novos significados que se desenvolve a função simbólica, elemento que garante a racionalidade do sujeito. O faz de conta também é importante no auxílio ao controle emocional da criança.

Mas e aí, onde está o coelho nisso tudo? O coelho ajuda a exercitar a imaginação e a criatividade, processos extremamente importantes do desenvolvimento. A ludicidade é o caminho mais eficaz para a aprendizagem e também na criação de memórias afetivas da infância, e essas memórias se tornam importantes durante seu desenvolvimento, pois é um lugar seguro para voltarem quando precisarem.

E quando é hora de parar de acreditar em coelhinho da Páscoa? A partir de certa idade, por volta dos 6 ou 7 anos, é natural que as crianças passem a se dar conta das diferenças entre o mundo real e o imaginário, com isso começam os questionamentos. Nesse momento, cabe aos pais ou responsáveis, conversar de forma honesta com os pequenos, pois não fará mais sentido alimentar essas fantasias neste estágio do desenvolvimento infantil.

Sendo assim, é importante que os adultos não rompam com os simbolismos de forma abrupta e precipitada, respeitando o tempo da criança. A natureza é sábia e tudo tem a hora certa e acontecerá naturalmente. Enquanto essa hora não chega aproveite e entre na brincadeira com seus pequenos, essa fase passa muito rápido e você certamente sentirá saudade e eles guardarão com muito carinho essas lembranças da infância e se desenvolverão de forma saudável e segura.

Não se aprende a andar de bicicleta olhando, se aprende andando!

Você já ouviu falar na pirâmide de aprendizagem de William Glasser? Segundo a versão mais difundida da pirâmide todas as pessoas possuem um grau de motivação para aprender no seu cotidiano. E uma vez que sabemos que as emoções têm grande influência no aprendizado, atitudes repressoras, ou seja, negativas, não ajudariam a assimilar novos conteúdos, pelo contrário, teriam um efeito desastroso, além de poder causar até uma aversão ao aprendizado.

Para Glasser o ato de aprender é uma escolha pessoal, sendo assim é uma escolha interna, que estaria associada à satisfação de cinco necessidades básicas: sobrevivência, pertencimento ao grupo, liberdade, poder e diversão.

A partir disso, podemos concluir, que atividades mecânicas e decorativas não resultam em um aprendizado efetivo, pois não contribuem para atender essas necessidades básicas. Porém, atividades de leitura, observação e escuta contribuem para a assimilação de novos conteúdos. Existem outros elementos fundamentais que também podem ser utilizados e que facilitam o aprendizado, sendo eles a discussão sobre o assunto, praticar o tema e ensinar outras pessoas.

Segundo a pirâmide de Glasser, aprendemos:

10% – Lendo

20% – Ouvindo

30% – Quando observamos

50% – Quando vemos e ouvimos

70% – Quando discutimos com os outros

80% – Quando fazemos

95% – Quando ensinamos os outros

No topo da pirâmide teríamos os processos com menos eficácia na retenção de conteúdos e na base da pirâmide os com maior eficácia.

No artigo de hoje quero incentivar você a vencer seus medos e começar a praticar o que você vem aprendendo, caso contrário você apenas vai ficando “gordo” de informações e conteúdos que não servem efetivamente para nada na sua vida.

A prática exigirá de você raciocínio sobre o assunto e suas implicações, o que vai favorecer o aprofundamento na compreensão do conteúdo. Para ensinar os outros, esse aprofundamento, precisa ser ainda maior, exigindo que você domine o assunto ao ponto de conseguir explicar e tirar dúvidas de outras pessoas.

O uso de metodologias ativas para o aprendizado é muito mais eficaz do que a escolha de metodologias passivas. Alguns recursos também podem contribuir de forma positiva para o aprendizado, como a gamificação e a tecnologia.

Se você aprendeu a andar de bicicleta sabe exatamente do que estou falando neste artigo. Ficar sentado na calçada olhando outras pessoas andando de bicicleta não fez com que você subisse em uma e saísse pedalando. Para andar de bicicleta foi preciso passar por um processo, primeiro andando com duas rodinhas de apoio, depois com apenas uma rodinha, na sequência nossos pais nos incentivaram segundando na parte de trás para ajudar no equilíbrio e sentirmos segurança, até que de repente estávamos andando sem apoio. Esse processo para aprender a andar de bicicleta ilustra muito bem como funciona o aprendizado.

Sendo assim, perca o medo, respeite o processo e coloque tudo que aprendeu em prática, os resultados serão incríveis!

Dificuldade de leitura pode ser uma dislexia, fique atento!

A dislexia é um transtorno do neurodesenvolvimento, mas como identificar que uma criança pode estar dentro do grupo de risco para transtornos de leitura? As evidências científicas têm trazido à tona os aspectos das dificuldades esperadas no período de apropriação da leitura e da escrita e padrões relacionados aos transtornos específicos da aprendizagem, no intuito de diferenciar aspectos cognitivo-linguísticos do desenvolvimento típico e atípico. É de suma importância que tanto os profissionais da saúde como da educação consigam identificar esses grupos de risco já nos primeiros níveis da escolarização, no caso, final da educação infantil e início do ensino fundamental.

Um dos primeiros indícios precoces em crianças para transtorno de leitura refere-se à falha no reconhecimento do nome das letras. Nessas crianças a leitura apresenta-se mais lenta e imprecisa, o que dificulta uma leitura fluida, a fim de compreender o que está escrito.

Para que você entenda, dois pontos são fundamentais para o reconhecimento das palavras, sendo eles a consciência fonológica (reconhecimento do som das letras e sua grafia) e a velocidade com que a criança consegue nomear objetos, letras e números. Um alerta: crianças com dislexia podem apresentar prejuízos nas funções executivas, visto a alta demanda, durante a leitura, dos componentes de memória de trabalho fonológica.

Esses déficits de leitura podem ser observados desde a educação infantil em dificuldade na pronúncia das palavras, no reconhecimento das letras que compõem o próprio nome, em recordar o nome das letras, entre outros sinais.

Um fator que deve ser levado em consideração para definir um risco para dislexia é o histórico familiar, se parentes de 1º grau apresentarem esse histórico de dificuldade na aquisição da leitura, o risco é aumentado em 4 a 8 vezes, se comparado com crianças sem familiares com dificuldades/transtornos.

E não podemos deixar de fora os fatores extrínsecos, no caso o ambiente familiar e escolar, eles são fundamentais para o bom desenvolvimento da criança no processo de leitura e escrita, pois um ambiente rico em estímulos favorece o aprendizado.

O importante sempre é procurar um profissional qualificado para fazer uma avaliação quando perceber que existe um risco da criança apresentar algum tipo de transtorno ou dificuldade de aprendizagem, podendo ser um psicopedagogo, neuropsicopedagogo ou fonoaudiólogo, pois quando realizadas intervenções precoces os resultados serão muito melhores e evitará maiores prejuízos no desenvolvimento da criança.

Os impactos da obesidade infantil na aprendizagem

Pesquisas realizadas nos últimos anos têm apresentado resultados preocupantes em relação aos impactos negativos da obesidade infantil na aprendizagem de crianças. As pesquisas revelaram que o excesso de peso causou prejuízos na atenção e na capacidade de alternar respostas e ações, de acordo com as exigências de estímulos. No processo de alfabetização, leitura e aprendizagem, essas capacidades são essenciais.

A obesidade pode interferir no desenvolvimento do córtex pré-frontal e do córtex cingulado anterior, partes do cérebro responsáveis pelo raciocínio e aprendizado do ser humano. Nosso desenvolvimento neurológico depende de uma boa nutrição.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2025, a taxa de obesidade infantil deve chegar a 75 milhões em todo o mundo, um dos problemas mais graves de saúde pública do século XXI. A obesidade, segundo os especialistas, é consequência de alimentação inadequada, agravada pelo consumo de biscoitos recheados, chocolates, salgadinhos, lanches e bebidas industrializadas.

É uma situação preocupante, principalmente nos grandes centros urbanos. Estamos sempre apressados, não queremos perder tempo e com isso os fast-foods acabam ganhando espaço na mesa dos brasileiros.

Para pais ou responsáveis por crianças obesas ou que possuem uma má alimentação meu conselho é mudar os hábitos alimentares de toda a família e praticar exercícios físicos juntos. O diálogo é sempre fundamental, a criança precisa entender a importância das mudanças e os ganhos que todos terão em relação à saúde e disposição. O que pode contribuir e muito na conscientização é pedir a participação da criança na escolha os vegetais quando vão ao mercado, ou pedir para que ela mesma prepare um lanche saudável, como também combinados, que podem estipular um dia na semana para a criança comer algo que tem vontade e que sairia fora de um cardápio saudável.

Quando o assunto é alimentação, criatividade é um fator muito importante. Pratos coloridos, divertidos, diversificados e bem temperados ajudam na educação alimentar da criança.

Hábitos como realizar as refeições na mesa, respeitando uma rotina de horários, de preferência em família e sem distratores também é fundamental, pois quando a criança se alimenta em frente a televisão ou faz as refeições sem prestar atenção e não saboreia os alimentos, ela pode não perceber os sinais do próprio corpo, ou seja, acaba comendo em excesso e não mastiga adequadamente os alimentos.

Concluindo, a aprendizagem depende de vários fatores ligados a própria criança, como as emoções positivas, um sono adequado, alimentação balanceada, tempo de lazer e prática de atividade física. Afinal, quando estamos com a saúde física e mental em dia fica bem mais fácil realizar as tarefas do dia a dia.

Mundo contemporâneo e a importância da filosofia

O que é a filosofia senão o ato de pensar, é uma busca do significado imutável das coisas em si. Ela é um ato de reflexão e apreensão. Aprender a pensar filosoficamente é aprender a questionar e ter a própria opinião sobre qualquer assunto, é aprender a não se deixar levar pela “onda”.

Quando dizemos que ela é uma apreensão, significa, portanto, que consiste em:

  • Um esforço intelectual de pensamento para obtenção de uma resposta;
  • Uma análise metódica;
  • Uma interpretação teórica;
  • Uma reflexão sobre as possibilidades de certeza ou não dessa interpretação.

A filosofia sempre foi relevante, mas no mundo contemporâneo ela se tornou fundamental, pois corremos um grande risco de sermos vítimas de uma mentalidade tecnocrática.

Infelizmente a população em geral sempre achou a filosofia um bicho de sete cabeças ou mesmo não entende direito para que ela serve. É lamentável, pois o exercício de pensar, de refletir e de aplicar os conceitos filosóficos na própria vida é, inclusive, tido como desprezível. Exagero? Não, não é exagero.

No mundo contemporâneo as pessoas estão cada vez mais autocentradas e dogmáticas, o que é um convite ao desastre nas relações humanas. Ao pensar filosoficamente nos transportamos não para outros mundos, mas para outras posições, o que nos possibilita olharmos o mundo por outros ângulos, o que é importantíssimo para nos colocar no lugar dos outros e a sair do egocentrismo.

Quando pensamos nos sentimos mais vivos, pois a capacidade de pensar é inerente ao ser humano. A filosofia é uma atividade humana indispensável, pois ela pode nos livrar de conceitos de juízos antecipados, de uma visão superficial da realidade, fruto da limitação da compreensão humana, sustentada por aparências, às quais o homem se apega facilmente.

Todas as mudanças decisivas na história da humanidade tiveram origem na filosofia, mas infelizmente muitos não sabem disso.

Devido a tecnologia, hoje em dia, temos acesso a filósofos contemporâneos brasileiros que são grandes professores em universidades renomadas, como Mario Sérgio Cortella, Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé e outros. Eles conseguiram levar a filosofia para o público em geral com uma linguagem simples e interessante, milhares de pessoas acompanham seus discursos e trabalhos pela rede social, o que é muito positivo para a sociedade, um verdadeiro fenômeno.

Para concluir, acredito que levar a filosofia para as salas de aulas desde tenra idade, ensinar nossas crianças e jovens a pensar filosoficamente, trará grandes benefícios não só para eles como indivíduos, mas para a sociedade em geral.

A contribuição da Neuroeducação para aprendizagem

Ser educador atualmente é um grande desafio, pois tem exigido um grande esforço para atender a vários tipos de demandas que lhe é proposto, desde uma boa preparação teórica (formação), até a incessante atualização profissional e dedicação ao seu trabalho.

A educação atualmente ganhou uma parceira importante, que tem se mostrado promissora, a neurociência. Ela traz um conjunto de saberes sobre o Sistema Nervoso Central, local onde tudo acontece, desde os comportamentos, pensamentos, emoções e movimentos. Com este conhecimento a educação pode dar um salto quando se fala em efetividade e eficácia, pois além da neurociência ter disponibilizado tratamentos efetivos para vários distúrbios neurológicos, ela também ajudou a buscar soluções para problemas educacionais.

Quando educadores frequentemente têm resultados negativos em relação as suas práticas em sala de aula, podemos dizer que é imprescindível conhecer como o cérebro aprende, para assim perceber e entender quando a dificuldade de determinados alunos está relacionada ao mal funcionamento do cérebro, aperfeiçoando assim as suas técnicas.

Devemos sempre respeitar a singularidade de cada indivíduo, sua respectiva forma de aprender, levando em consideração suas condições neuroanatômicas, fisiológicas, emocionais e cognitivas, pois mesmo que seu cérebro funcione de maneira diferente, seu aprendizado será possível através de formas alternativas e mais adequadas de abordagem, adaptadas a sua realidade.

Ao pensarmos em uma educação inclusiva, a neuroeducação traz um leque enorme de possibilidades o que possibilita que crianças que possuem empasses em sua constituição cognitiva poderão ter as chances de alcançar níveis intelectuais que até então não era possível chegar.

O futuro nos parece promissor e abraçar as possibilidades de avanço é fundamental para que a educação no mundo contemporâneo alcance melhores resultados, sendo mais produtiva e efetiva.

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