Muito ouvimos falar em vínculo materno, mas dimensionar o impacto que ele causa e representa no desenvolvimento de um indivíduo é bem difícil! Na Psicopedagogia – e na teoria essencial (ou de Matrizes Dimensionais) – denominamos “brincadeira essencial” aos modos de afetividade e de relação social. Existe socialização no útero? O bebê realmente sente ou percebe o que se passa com a mãe?
A resposta é SIM! A criança é “afetada” desde o início de sua vida para a construção de seus modos de afetividade, ou seja, no ventre materno a mãe irá transmitir seus estados de ânimo, movimentos e sentimentos. Dentro do útero, o bebê irá registrando “visceralmente” tais estados e começará a configurar de acordo com sua singularidade (ele é um ser único na sua espécie), seus “estados psíquicos”. Muita responsabilidade, não é mesmo? Imagine que da mesma forma como é transmitida a cor dos olhos ou da pele, as sensações irão se inscrevendo, no incipiente psiquismo, dimensionalmente conforme a evolução dos órgãos sensoriais e segundo o material genético específico.
Quando eu cito o material genético para a estruturação da afetividade e da socialização, estou me referindo àquele material genético afetivo e vincular do qual a mãe é portadora, estruturado conforme suas modalidades, vivências e experiências próprias, que serão transmitidas por via intra-uterina ao bebê. Ali, no útero, serão criadas as bases da afetividade. Essa será sua primeira experiência e forma de socialização. Incrível!
Por isso é tão importante que a mãe tenha uma gestação tranquila, é interessante que a mãe procure atividades que lhe ajudem a manter um estado de ânimo positivo. Conversar com o bebê, colocar músicas para ele ouvir, tudo isso ajuda para o bom desenvolvimento da psique do bebê.
Infelizmente não se pode dimensionar como cada bebê será afetado, o resultado poderá aparecer no desdobramento do seu desenvolvimento, pois somos seres únicos e complexos, o que afeta de forma negativa um indivíduo pode não ter um impacto tão significativo em outro. Mas o importante é saber que o bebê está recebendo toda informação para o seu desenvolvimento dentro do útero e usar isso como instrumento para fazer as melhores escolhas possíveis, contribuindo assim com a natureza e com a saúde emocional do bebê.
Você percebe que está com dificuldade para se concentrar? Dificuldade de focar a atenção? Anda esquecendo as coisas? Percebe sua capacidade criativa diminuída? Anda irritado e impaciente?
Então me responda, como está a qualidade das suas noites de sono? Quantas horas você costuma dormir por noite? Qual é a sua rotina ao ir para casa, e o que faz antes de dormir? Estas são algumas perguntas importantes para você tentar entender se o seu baixo desempenho não está ligado ao sono.
O sono é tão vital para nossa saúde quanto é a alimentação, o ar que respiramos e a atividade física. Por isso passamos um terço de nossa vida dormindo. Afinal, nossa saúde física, mental e emocional, dependem de boas noites de sono! É durante o sono que nosso sistema imunológico se fortalece, há a secreção e liberação de hormônios, como o do crescimento, o da consolidação da memória e o do relaxamento e descanso da musculatura, sem falar de nossa capacidade criativa.
Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Rochester, que tem como responsável o Dr. Nedergaard, é durante o sono que acontece uma verdadeira faxina, o espaço entre as células aumenta durante o sono, possibilitando que nosso cérebro se livre de toxinas que são acumuladas enquanto estamos acordados. Sendo assim, hábitos de sono saudáveis contribuem para prevenir doenças como Alzheimer e Parkinson.
Segundo a especialista em sono e cérebro Tara Swart do Massachussets Institute of Technology (MIT), esse processo de limpeza das toxinas leva em torno de 6 a 8 horas e, quanto menor o tempo de sono profundo, menor também é a eficácia na filtragem das toxinas. Portanto, se você é daqueles que acredita que dormir é perda de tempo, está muito enganado, dormir significa saúde e alto desempenho.
Para você ter uma ideia, quando apresentamos um déficit de sono, atividades simples de nosso dia a dia, podem tornar-se um verdadeiro desafio, podendo comprometer nossa tomada de decisão, concentração e/ou memória, sendo assim, lembrar de tarefas e compromissos diários pode ser bem difícil.
E falando em aprendizagem, também é durante o sono que nosso aprendizado é consolidado, lembrando que o aprendizado e a memória são responsáveis pela nossa capacidade de locomoção, fala, escrita e execução de diversas atividades. Quantas vezes você já ouviu, que antes de fazer aquela prova importante, é imprescindível uma boa noite de sono? Isso é verdade, porque quando dormimos, aquela informação que acabamos de estudar, será enviada para outras áreas do cérebro consolidando a memória.
Outra descoberta importante é que quando aprendemos algo novo, a informação é retida com maior facilidade se tirarmos uma soneca logo em seguida. E é claro que já existem escolas investindo nas sonecas após algumas aulas!
Portanto, minha orientação para você que tem filho em idade escolar é, estabeleça uma rotina saudável de sono para ele, pois o bom desempenho escolar dependerá boa parte disso. Você sabia que vários casos de baixo rendimento escolar, poderiam ser evitados e/ou resolvidos apenas com boas noites de sono?
Eu sei que muitas vezes acabamos não percebendo os impactos do sono em nossa vida, mas agora que você já sabe, pode usar os benefícios a seu favor! E aí vai meu conselho para você: DURMA BEM!
Primeira infância é o período que corresponde aos primeiros 6 anos de vida. É um período rico em descobertas. Quem convive com crianças pequenas deve se lembrar que em algum momento ele soltou um “mãmã” ou “papa”, um dia ele começou a gatinhar e em pouco tempo estava de pé, segurando nas coisas, e por aí vai.
Nesta fase da vida é muito importante, que os adultos que convivem com a criança, fiquem atentos aos estímulos que a criança está recebendo, pois é um período muito fértil para desenvolver determinadas habilidades. Também é importante salientar que, experiência vivenciadas nesta fase, podem acompanhar o indivíduo por toda vida adulta, como por exemplo os casos de maus tratos e violência.
Podemos fazer uma analogia do cérebro com uma esponja, pois na primeira infância ele é capaz de absorver todo conhecimento gerado através de estímulos nos ambientes aos quais a criança faz parte.
A aprendizagem humana está ligada a neuroplasticidade, que é a capacidade que o cérebro tem, durante seu processo de evolução ou traumas, de se adaptar. Você já imaginou como seria o processo de aprendizagem sem a plasticidade cerebral?
Temos na infância, um pico de intensidade na capacidade de aprender, o que explica a facilidade que as crianças têm no aprendizado de outras línguas.
Um dos fatores que influenciam a neuroplasticidade é um ambiente rico em estímulos. Outro fator é o exercício cerebral, ou seja, o cérebro precisa de uma quantidade mínima de atividades que o mantenham em movimento de trabalho.
Para que você entenda melhor vamos usar a imaginação! Imagine que o processo de aprendizagem é um bolo em camadas, para que esse bolo seja delicioso é preciso que cada camada seja firme para que não desmorone. Ou seja, você só pode colocar outra camada quando a camada anterior estiver consistente. Cada camada serve de suporte para a que vem a seguir. Assim funciona a aprendizagem!
Podemos dizer, que a capacidade de aprendizagem que cada pessoa tem é determinada tanto pela genética quanto pela educação. A genética por si só não é suficiente para aprendermos, mas um desenvolvimento planejado faz toda diferença!
Voltando ao bolo, é importante oferecer sempre alguns desafios para a criança, de acordo com a faixa etária, com base nos conhecimentos e habilidades que ela já adquiriu.
Sendo assim, abuse dos jogos e brincadeiras, fundamentais nesta fase do desenvolvimento. Explorar os movimentos corporais, a socialização, o toque, as sensações, a fala, fazem parte de um ambiente rico em estímulos e é o que vai favorecer todo o processo de aprendizagem futuro.
A pandemia do Coronavírus impactou milhões de estudantes ao redor do mundo. O cenário nas escolas e universidades é de uma disrupção sem precedentes. No entanto, mesmo diante deste cenário, hoje, temos a tecnologia a nosso favor, que possibilita o aprendizado de forma remota, o que não acontecia no passado.
Vivemos um momento de incertezas, portanto é essencial a parceria entre escolas e famílias para que a aprendizagem continue, mesmo com aulas em formato remoto. Aliás, a parceria, sempre foi um fator fundamental para o sucesso da criança e do adolescente no processo de ensino aprendizagem, porém agora, ela passou a ser imprescindível.
Neste contexto, temos de um lado a escola, que precisa considerar a realidade que cada criança e jovem vive fora do ambiente escolar, traçando objetivos claros e ações que atendam as necessidades de cada grupo, garantindo o direito de acesso à aprendizagem para todos os alunos. E do outro lado, temos as famílias, que precisam se aproximar da escola e acompanhar de perto a aprendizagem dos filhos.
É um processo desgastante para ambos os lados. Porém, apesar dos obstáculos, no fim das contas, todos têm o mesmo objetivo, buscar o melhor ensino para as crianças e jovens, e para isso é importante o respeito, a transparência nos relacionamentos e a colaboração.
A nível de consultório, observamos que, desta proximidade com a aprendizagem dos filhos, algumas famílias, perceberam dificuldades de aprendizagem que antes passavam despercebidas, o que fez com que buscassem ajuda de profissionais especializados em aprendizagem, como Psicopedagogas, Neuropsicopedagogas e Neuropsicólogas.
Esse é um ponto importante e vale um alerta, porque, infelizmente, ainda temos muitos pais que não buscam ajuda profissional quando o filho apresenta alguma dificuldade de aprendizagem. Um dos fatores que influencia nesta decisão são os estereótipos, que ainda existe em nossa sociedade, faz parte de uma cultura que cria “modelos” de inteligência, ou seja, julgando as crianças que apresentam baixo desempenho escolar, dificuldades ou mal comportamento como “fora” dos padrões desejados ou esperados. É muito comum, diria até corriqueiro, ouvir de pais, e até professores, que uma criança é “preguiçosa”, “bagunceira” e/ou “desinteressada”, sem que haja uma investigação do “motivo” que desencadeia tais comportamentos.
É importante que as famílias fiquem atentas à relação que os filhos possuem com o processo de ensino aprendizagem, levando em consideração que somos seres únicos, que aprendemos de formas diferentes, por isso existem formas diferentes de ensinar. Em muitos casos são necessários apenas ajustes na forma de ensinar para que o desempenho da criança ou do jovem melhore.
Uma coisa é certa, a importância, principalmente no contexto que vivemos atualmente, de uma preocupação com a saúde mental de nossas crianças e adolescentes, e isso inclui, também, uma aprendizagem saudável. É preciso motivação para aprender! E quando tudo isso passar, muitos serão os aprendizados que a pandemia irá nos deixar, rendendo boas reflexões para praticarmos com nossos alunos e filhos.
O estudo das neurociências aplicada ao desenvolvimento emocional infantil, no intuito de compreender as relações entre o cérebro e o desenvolvimento emocional na infância, constitui um vasto campo de pesquisa clínica e teórica. Estes estudos são muito importantes para o avanço no conhecimento da relação entre o cérebro e suas funções mentais.
Existem alguns transtornos psiquiátricos na infância que são mais conhecidos, como o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), seguido do TOD (Transtorno Opositivo Desafiador) e o Transtorno de Conduta.
O Transtorno Opositivo Desafiador, ou TOD, encontra-se dentro dos transtornos de conduta.
De acordo com CID 10 (F91.3) – Transtorno Desafiador e de Oposição:
Transtorno de conduta manifestando-se habitualmente em crianças jovens, caracterizado essencialmente por um comportamento provocador, desobediente ou perturbador e não acompanhado de comportamentos delituosos ou de condutas agressivas ou dissociais graves. Para que um diagnóstico positivo possa ser feito, o transtorno deve responder aos critérios gerais citados em F91.3; mesmo a ocorrência de travessuras ou de desobediência sérias não justifica, por si próprio, este diagnóstico. Esta categoria deve ser utilizada com prudência, em particular nas crianças com mais idade, dado que os transtornos de conduta que apresentam uma significação clínica se acompanham habitualmente de comportamentos dissociais ou agressivos que ultrapassam o quadro de um comportamento provocador, desobediente ou perturbador.
O início de sua manifestação ocorre antes dos 8 anos de idade e, se não tratado, poderá piorar muito na adolescência.
A prevalência é de 2 a 16% das crianças em idade escolar e mostra-se mais comum em meninos do que em meninas.
Conforme o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-V), está dentro de transtornos disruptivos, do controle de impulsos e de conduta.
Quem nunca se deparou com uma criança extremamente opositiva e desafiadora, que discute por qualquer motivo, não assume seus erros e faz questão de demonstrar que não será fácil negociar com ela, mesmo que a circunstância mostre que sua atitude é totalmente sem lógica. Ela constantemente se desentende com seus grupos de convivência e família, tornando tudo muito difícil. Essa criança pode estar apresentando sintomas do Transtorno Opositivo Desafiador.
É muito comum que o TOD esteja associado ao TDAH (50% dos casos), sendo assim, é importante observar as crianças para que os sintomas sejam tratados evitando dessa forma os problemas de aprendizagem e baixo rendimento escolar. Geralmente, os ambientes familiares são conturbados e os pais divergem quanto a forma de educar e estabelecer limites aos filhos, porém existem evidências genéticas e neurofisiológicas que podem predispor seu desenvolvimento.
É comum que os pais, dessas crianças que apresentam um comportamento “difícil”, evitem de sair com elas, deixando aos cuidados de avós ou parentes próximos. Na escola também acabam sofrendo bullying e são mal compreendidas.
Como outros transtornos, o TOD precisa de avaliação e acompanhamento multidisciplinar, dependendo basicamente de três eixos: medicação, psicoterapia comportamental e suporte escolar.
Quantos antes buscar tratamento, melhores serão os resultados. Portanto não hesite em levar a criança que apresenta os sintomas citados, para uma avaliação com especialista.
Cristiane Saraguci – Neuropsicopedagoga Clínica e Institucional
Vou iniciar este artigo afirmando algo que já descobri a algum tempo: “menos é mais”. Explico! Eu me vejo como uma pessoa multipotencial, ou seja, eu me interesso por assuntos de áreas variadas e tenho competências e habilidades variadas. Isso pode ser um diferencial ou virar um pesadelo! Por ter habilidades em áreas diferentes eu já caí várias vezes na armadilha de executar várias atividades ao mesmo tempo. O resultado disso? Esgotamento físico e principalmente mental, além de baixo rendimento, pois quem faz várias coisas, faz várias coisas mal feitas!
O que eu quero trazer para vocês, leitores do meu blog, é a ideia do essencialismo.
Como disse Lin Yutang:
“A sabedoria da vida consiste em eliminar o que não é essencial”
A pergunta é: vivendo nessa sociedade exigente, onde a tecnologia trouxe velocidade e uma ansiedade absurda, onde as pessoas querem tudo para ontem, onde a lista de competências e habilidades para ocupar uma vaga de emprego vem aumentando a cada dia, como separar o essencial do trivial? Como não entrar nessa montanha russa frenética?
No livro “Essencialismo” de Greg McKeown ele aborda o assunto de forma clara, mostrando que equilibrar a vida pessoal e profissional exige aprender a reduzir, simplificar e manter o foco em nossos objetivos. Ele enfatiza no decorrer do livro algo que nos faz refletir: quando não assumimos a responsabilidade de tomar decisões e fazer escolhas difíceis, outras pessoas tomarão as decisões por nós, como colegas, família, chefe e clientes, eles controlarão o nosso tempo. E sabe para onde vão os nossos planos e sonhos? Pois é! O que é essencial para você?
A ideia de separar o essencial do trivial é escolher “as coisas certas para fazer”. E o que são as coisas certas? A primeira coisa a fazer é se conscientizar de que quando se escolhe um caminho é preciso abrir mão de outros tantos caminhos disponíveis. É preciso eliminar o que não é essencial. Quando você faz isso, automaticamente, sua energia estará concentrada neste algo que você está buscando e não mais distribuída entre várias tarefas. Quando você faz várias coisas ao mesmo tempo você distribui a sua energia em várias direções, e o que acontece? Seu desempenho cai. E quando você foca apenas no que é essencial? Seu desempenho aumenta e seus resultados também.
Quando você aprende a gerenciar seu tempo, você aprende a parar para “pensar”, a dar uma pausa estratégica.
Segundo Lao-Tsé:
“Para obter conhecimento, acrescente coisas todo dia. Para obter sabedoria, subtraia.”
No coaching nós aprendemos a “planejar”, e esse é um dos pontos do essencialismo. Pensar e planejar, isso vale para todas as áreas da vida. Buscar um equilíbrio entre vida pessoal e profissional é fundamental para se sentir realizado. Fazer menos e produzir mais, esse é o objetivo. Ser mais assertivo nas escolhas e aprender a abrir mão de outras que não agregam nada. Acredito que uma das tarefas difíceis é realmente aprender a dizer “não” com delicadeza. Esse é o caminho para tomar as rédeas de sua vida, ou você aprende a dizer não ou as pessoas vão controlar para onde você vai.
No livro o autor aborda três elementos que são importantes para escolher o que fazer: explorar as opções, eliminar o que é trivial e executar o que escolheu ser essencial. Não é tão simples como parece, pois a vida está em constante movimento, você terá que fazer isso constantemente. Você já deve ter passado por uma situação em que fez uma lista pela manhã do que precisava ser feito durante o dia, porém ao final do dia se deu conta que não cumpriu nem metade da lista, isso porque apareceram outras tarefas e você as priorizou, deixando a lista de lado. Portanto, buscar pelo essencial é um exercício constante e disciplinado!
Se você tem sonhos para realizar o caminho é esse! Aprenda a fazer escolhas que te levem dia após dia para mais perto do seu objetivo. Fazendo menos e melhor!
Como escreveu a poeta Mary Oliver:
“Diga-me, o que planeja fazer com sua vida única, fantástica e preciosa?”
Para finalizar quero deixar uma reflexão sobre a raiz latina da palavra DECISÃO – CIS – significa “cortar” ou “matar”! Em primeiro momento, cortar algo, pode parecer doloroso, porém eu garanto que com o tempo trará benefícios e sentimento de felicidade, pois você perceberá que ganhou muitos momentos que pode usar com alguma coisa muito melhor.
Cristiane Saraguci – Neuropsicpedagoga Clínica e Institucional / Coach Pessoal e Profissional
O cérebro humano é extraordinariamente maravilhoso! Sempre me atraiu a complexidade que envolve toda a estrutura do sistema nervoso. Tudo o que somos está registrado nesse órgão que supera a capacidade de qualquer computador, nossos sentimentos, emoções, experiências, traumas, aprendizados….uma vida inteira registrada nesta central de comando e controle que possui, segundo pesquisas atuais, cerca de 86 bilhões de neurônios, que são células especializadas em processar informações sobre todo o organismo humano.
Justamente por causa dessa complexidade é que precisamos ficar atentos. Um exemplo de como ele pode nos enganar é em relação ao “medo”. Observe que sempre que esteve diante de uma situação totalmente nova e desconhecida o sistema de segurança entrou em ação e emitiu um alerta: O MEDO. É como se o cérebro acendesse um grande letreiro vermelho piscando: PERIGO. O medo nada mais é do que uma reação “involuntária” que aparece quando passamos por alguma situação estressante. O cérebro libera substâncias químicas que desencadeiam uma série sensações como disparo do coração, contração muscular, respiração rápida, entre outros. Ele faz parte do nosso instinto de sobrevivência também conhecido como “luta ou fuga”.
Então o que fazer quando o medo entrar em ação? CORAGEM. Exercite respirar, colocar os pensamentos em ordem e perguntar a si mesmo: Esse medo é racional? Do que estou realmente com medo? Medo de errar? Medo de não dar certo? Medo do novo? Medo dos julgamentos? Existe realmente um perigo eminente? Quais os aspectos positivos se eu enfrentar esse medo? E se não for o que eu estou pensando? Quando conseguir olhar por esse ângulo você perceberá que o medo poderá levar você a agir, favorecendo seu desenvolvimento pessoal.
O que precisamos entender é que, mesmo acreditando que estamos no comando e que somos racionais o tempo todo, isso não é verdade. Nós agimos por “hábitos”, estereótipos e tomamos muitas decisões inconscientes ou influenciadas pelo meio. Ou seja, o nosso cérebro nos engana o tempo todo!
Uma das coisas que aprendi com meus estudos é que nosso cérebro sempre vai tentar economizar energia, portanto, quanto mais ações estiverem no modo “automático”, menor a energia gasta. Por exemplo, para escovar os dentes gastamos pouquíssima energia, pois é uma ação que realizamos diariamente desde a infância, nem pensamos para realizar essa tarefa, portanto ela está no modo automático. E assim funciona para outras ações e comportamentos que temos no dia a dia, os quais podemos chamar de “hábitos”. E este é o ponto de atenção, entramos no “piloto automático” o tempo todo, praticamente vivemos no piloto automático. Sabe aquela história que você provavelmente ouviu, do pai que saiu para ir trabalhar e precisava passar para deixar o bebê na escola, porém como não fazia parte da sua rotina, ele acabou esquecendo o bebê no banco de trás do carro? Essa situação ilustra bem o modo “piloto automático”.
O cérebro é uma máquina de fazer conexões, todos o dias, a cada problema que tentamos resolver, em cada atividade nova, vamos criando novas conexões neurais. Quando nos relacionamos com as pessoas novas conexões vão sendo criadas, e quanto mais nos relacionamos com alguém, mais conexões, o que vai alterando aos poucos nosso comportamento, por isso é importante nos cercarmos de pessoas que contribuam para nossa motivação e nos ajudem a aceitar as diferenças. Sabe aquele ditado antigo “Diga com quem tu andas que te direi quem tu és” ? Pois é, também se encaixa para essas situações. Programações de TV, notícias, leituras, músicas, vídeos, rede social, internet, tudo isso vai modificando sua estrutura cerebral. Assustado? É para ficar mesmo. Agora imagine tudo isso no cérebro de uma criança! As consequências podem ser bem dolorosas no futuro.
Você sabia que nossa rede neural criada no decorrer da vida nos leva a ter “percepções” diante de pessoas e situações? Ou seja, cada ser humano é único e tem sua própria visão de mundo, ou podemos dizer “seu próprio mundo”, criado através de suas experiências. Qual é o resultado? Cada pessoa enxerga o mundo, as situações, resolve seus conflitos e problemas, de acordo com “suas crenças pessoais”, preconceitos e atitudes, e não necessariamente enxergam as coisas como realmente são. Nós sofremos muita influência de nossas percepções e elas podem nos enganar.
Sabendo de tudo isso, é importante diversificar as informações que chegam ao cérebro, não expô-lo ao mesmo conteúdo repetidas vezes (a não ser que queira realmente assimilá-lo), porém ouvir opiniões diversificadas nos ajuda a construir uma percepção melhor da realidade, diminuindo a influência do meio e nos ajudando a criar nosso próprio conceito sobre um determinado assunto. Evitando o famoso “efeito manada”.
E para finalizar, outro ponto importante é a forma como “julgamos” as coisas e as pessoas. No livro “Rápido e Devagar – duas formas de pensar” de Daniel Kahneman, professor de Psicologia da Universidade de Princeton e professor emérito de psicologia e relações públicas da Woodrow Wilson School of Public and International Affairs de Princeton, ele descreve dois sistemas no cérebro que chama de “Sistema 1” e “Sistema 2”, o sistema 1 responderia de forma rápida e intuitiva, e o sistema 2 de forma lenta, para soluções mais complexas, que exigem uma análise mais minuciosa, o que obviamente demanda mais energia do cérebro. Aqui está a grande questão, o “Sistema 1” pode nos enganar facilmente, nem sempre devemos confiar em nossa intuição, pois pular para as conclusões ao julgar algo ou alguém pode ser perigoso e arriscado, principalmente quando existe muita coisa em jogo e uma grande probabilidade de cometer erros intuitivos.
Resumidamente é isso! Espero que este artigo te ajude a refletir e entender um pouco mais sobre como funciona seu cérebro e como potencializar cada vez mais essa máquina extraordinária que você tem na cabeça e perceba melhor quando ele estiver tentando te enganar para economizar energia, ou seja, quando ele estiver com preguiça de trabalhar!
E lá se foram 7 meses de uma situação totalmente nova e inesperada para nós pais. Um desafio para conciliar nosso trabalho e nossa rotina com as aulas on_line dos filhos, algo totalmente novo para eles e para nós. De repente fomos tirados da zona de conforto e, posso dizer por mim, eu fiquei perdida com os horários, uma confusão só. Pois é o marido home office, horário de almoço, aula das crianças, lições de casa, meu próprio trabalho, realmente não é fácil! Mas após todo esse tempo, já estamos um pouco mais habituados com a nova rotina maluca da casa.
Bom, já se passaram 7 meses, estou naquela fase do “não aguento mais”, preciso fazer alguma coisa para não enlouquecer dentro de casa, porque não é fácil ficarmos trancados, fala sério, somos seres sociáveis. Então, busquei uma solução para amenizar a situação e voltei com a minha rotina de caminhadas matinais para ter mais disposição o restante do dia, além de saúde mental, física e emocional. E deu muito certo, tem feito uma grande diferença no meu dia a dia!
Aqui em casa, como as meninas não têm aulas on_line “ao vivo”, o que achei maravilhoso, consigo organizar os horários de acordo com a nossa necessidade. Mas eu sei queridos pais, que nem todas as escolas optaram por esse modelo, o que dificulta ainda mais a adaptação dos pais e das crianças, pois é mais complicado conciliar os horários de todos.
Minha sugestão para vocês é: Não sejam tão duros com vocês e com as crianças, pois tudo vai passar! Nesse período de ansiedade generalizada, podemos acabar exigindo demais dos filhos, ficamos ansiosos quando não conseguem completar uma lição, perdemos a paciência quando se distraem durante a aula, e muitas outras situações. Porém, precisamos lembrar que eles não estão em um ambiente neutro, ou seja, os estímulos do ambiente acabam tirando a atenção da criança, o que é perfeitamente normal. A dica é apenas reduzir os estímulos visuais e sonoros, quando possível, e se necessário chamar a atenção de forma tranquila, apenas com o intuito de lembrá-los que devem prestar o máximo possível de atenção.
Ser exigente em demasia com a criança, demostrar falta de paciência, irritação e ficar brigando o tempo todo, só vai agravar mais o problema. O aprendizado acontece através de emoções positivas, portanto evite criar situações em que a criança se sinta pressionada demais, pois isso pode desmotivá-la e, dependendo da situação, até criar uma aversão aos estudos. Vamos refletir e responder, que lembranças queremos que nossos filhos tenham desse período? Qual é o maior aprendizado que podemos deixar para eles?
Outra dica é: mantenham um canal de comunicação com a professora e escola do filho de vocês, inclusive quando a criança apresenta alguma dúvida que você não está conseguindo sanar, ou não sabe como explicar. O que percebo é que muitas vezes os pais acabam dando a resposta para a criança porque não querem que eles apresentem erros nas atividades, isso é um grande equívoco. Deixa eu dizer uma coisa para vocês, a forma mais eficiente de aprendermos é errando! Basta olharmos para nós mesmos, para nossos aprendizados, que isso ficará muito claro. Deixem as crianças errarem, deixem que elas tirem as dúvidas com o grupo e com a professora. Até porque, a professora, tem uma didática para explicar, ela conhece a metodologia, sabe a forma correta de tirar a dúvida sem dar a resposta diretamente, fazendo com que a criança encontre a resposta. O segredo é AUTONOMIA, ensine seu filho a buscar a resposta no lugar correto, ensine seu filho a ter autonomia nos estudos!
Queridos pais, vamos relaxar um pouco, o ano não está perdido! A criança vai aprender o que for possível em 2020 e certamente irá recuperar nos próximos anos. Talvez leve alguns meses a mais, porém o mais importante, nesse momento, é a saúde física, mental e emocional. Lembrem-se que eles têm toda uma vida de aprendizado pela frente, fiquem tranquilos, tudo dará certo! Sabe aquela frase “faça o que é possível com as ferramentas que você tem na mão”, é isso aí. Sem estresse, com leveza!
Concluindo, cuidem-se para que consigam cuidar do outro! LEVEZA e GRATIDÃO!
Gostaria de ouvir sua opinião, como tem sido para você esse tempo de pandemia?
Cristiane Saraguci – Neuropsicopedagoga Clínica e Institucional / Personal & Professional Coach
Primeiramente é importante entender o significado de “letramento corporal”:
Livro “Letramento corporal, atividades físicas e esportivas para toda a vida” de Margaret Whitehead, p. 13
“Em conformação com as condições de cada indivíduo, o letramento corporal pode ser descrito como a motivação, a confiança, a competência motora, o conhecimento e a compreensão para manter a atividade física ao longo da vida”.
Nos últimos anos temos percebido uma intensificação de alertas sobre a importância de manter uma atividade física, manter o corpo em movimento, com o objetivo de melhorar nossa saúde física e mental. O sedentarismo e a má alimentação têm causado grandes prejuízos à saúde da população mundial. E o problema vem se agravando ainda mais neste período de pandemia.
Em 2019 tive a oportunidade de participar de alguns encontros que aconteceram no CEPEUSP – Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo, através do Programa de Desenvolvimento Humano pelo Esporte. Nestes encontros foram realizados Workshops sobre “Vidas Ativas”, um trabalho viabilizado pela USP e pelo Instituto Ayrton Senna, que teve como resultado o lançamento do “Caderno Jornada Vidas Ativas”. Todo o trabalho foi baseado no livro de Margaret Whitehead citado acima. Essa experiência foi muito significativa para mim, trazendo um novo olhar e agregando mais conhecimento sobre a importância do incentivo à atividade física desde que nascemos.
Resolvi trazer este assunto, dando ênfase para a relação corpo e cognição, para que você entenda os impactos que uma vida sedentária tem no desenvolvimento cerebral. Uma das premissas do letramento corporal é que o desenvolvimento de qualquer dimensão humana, geralmente, terá um impacto em todas as outras dimensões, uma vez que são inter-relacionadas e interdependentes. Sendo assim, o letramento corporal pode ter efeitos significativos no desenvolvimento da cognição, da imaginação, do raciocínio e da aprendizagem geral.
BURKITT, 1999, p.12
“O que chamamos “mente” somente existe porque temos corpos que nos dão o potencial para sermos ativos e animados no mundo, explorando, tocando, enxergando, ouvindo, perguntando, explicando, e só podemos nos tornar pessoas e nós mesmos porque estamos localizados corporalmente em um determinado espaço e tempo em relação a outras pessoas e coisas ao nosso redor.”
Muitos autores se referem a corporeidade como fonte do intelecto. Desde que nascemos estamos ativos no mundo, percebendo e respondendo aos estímulos, como calor e frio, texturas, peso e relações espaciais. Sendo assim a competência motora está relacionada com boa parte da nossa aprendizagem durante a vida.
SHEETS-JOHNSTONE, 2002, p. 104
“…a racionalidade é antes de tudo um princípio fundado no corpo.”
Outro ponto importante são as emoções, que como sabemos, estão relacionadas ao aprendizado. Não existe dúvida em relação a isso, hoje temos acesso a uma vasta literatura sobre o assunto, mas é preciso entender também que não existem “emoções desincorporadas”. O material das emoções são os movimentos e ações, ou seja, o movimento é parte da emoção e não uma representação dela.
Quando nos deparamos com indivíduos que apresentam dificuldade de aprendizagem, um dos pontos que iremos investigar é como era a vida deste indivíduo desde o nascimento, pois podemos colher ali informações importantes para ajudá-lo na superação e remoção do que está impedindo seu aprendizado. Uma parcela destes indivíduos são encaminhados para terapia com Psicomotricista, isso porque, na avaliação, foi identificada uma defasagem no desenvolvimento motor, o que significa que não receberam os estímulos necessários para um bom desenvolvimento na primeira infância, e que isso acarretou prejuízos na aprendizagem e consequentemente na sua vida acadêmica.
Uma das nossas grandes aliadas nestes estudos é a neurociência, com isso a educação infantil passou a ser vista com outros olhos, pois entendeu-se a importância dos estímulos nesta etapa do desenvolvimento humano. Conseguimos entender melhor o funcionamento do cérebro e como nós aprendemos. Funciona assim, ao nascermos, a área sensório-motora do cérebro permite que a aprendizagem ocorra por meio da visão, audição, tato, paladar e do olfato, tendo como principal estímulo o movimento. Quando o recém-nascido se movimenta ele aciona os mecanismos de estimulação do cérebro. Para contextualizar, é como se ele dissesse assim: “Ei, perceba o ambiente a sua volta!”
A negligência na oferta destes estímulos na infância pode causar atrasos e deficiências no desenvolvimento do indivíduo. O cérebro do bebê, ao nascer, é composto de várias células desconexas. Para que as conexões sejam feitas o cérebro precisa ser estimulado, e o estímulo essencial para o desenvolvimento cerebral é a atividade física, ou seja, os movimentos.
Se observamos o mundo em que vivemos hoje, com a tecnologia e todas as facilidades que o homem criou, como carro, cadeiras confortáveis, sofás e muitas outras coisas, na verdade, somos convidados a manter nosso corpo parado. E ainda temos que lidar com outro problema, que se tornou comum entre crianças e adolescentes, a ansiedade, a depressão e os déficits de atenção, além de muitos outros transtornos mentais.
Quero convidar você para uma reflexão a respeito deste assunto e uma mudança de atitude, principalmente se você tem criança em casa. Explore seu bairro, seus espaços de convivência, envolva outras pessoas, incentive seus filhos, movimente-se! Fará bem para sua saúde física e mental, além de ser uma grande aliada na sua aprendizagem e das pessoas que você convive.
Uma curiosidade, estive recentemente em consulta com Oftalmologista, ele me fez uma pergunta que me fez refletir: “Você já viu índio de óculos? É algo comum?”, e eu fiquei pensativa, porque realmente nunca vi. Ele me explicou as causas dos problemas de visão, e o principal deles é a falta de luz do sol. Ele disse que as crianças precisam permanecer pelo menos três horas por dia ao ar livre, no sol, para prevenir problemas de visão. Veja como a natureza é sábia, precisamos nos movimentar, precisamos do sol, precisamos da natureza, ou seja, precisamos voltar a nossa “natureza”, não nascemos para ficarmos presos, isolados e parados, o oposto do que a Pandemia nos impôs.
Já dizia Mohatma Gandhi:
“Seja a mudança que você quer ver no mundo.”
Se você gostou do conteúdo e gostaria de se aprofundar mais, sugiro que leia o livro: “Letramento corporal, atividades físicas e esportivas para toda a vida” de Margaret Whitehead.
Primeira infância é o período que corresponde aos primeiros 6 anos de vida. É um período rico em descobertas. Quem convive com crianças pequenas deve se lembrar que em algum momento ele soltou um “mãmã” ou “papa”, um dia ele começou a gatinhar e em pouco tempo estava de pé, segurando nas coisas, e por aí vai.
Nesta fase da vida é muito importante, que os adultos que convivem com a criança, fiquem atentos aos estímulos que a criança está recebendo, pois é um período muito fértil para desenvolver determinadas habilidades. Também é importante salientar que, experiência vivenciadas nesta fase, podem acompanhar o indivíduo por toda vida adulta, como por exemplo os casos de maus tratos e violência.
Estudos da Neurociência comprovam que, esta fase em questão, é onde ocorre o principal desenvolvimento cerebral. Podemos fazer uma analogia do cérebro com uma esponja, pois na primeira infância ele é capaz de absorver todo conhecimento gerado através de estímulos nos ambientes aos quais a criança faz parte. A aprendizagem humana está ligada a neuroplasticidade, que falaremos a seguir.
A Neuroplasticidade na Primeira Infância
A neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro tem, durante seu processo de evolução ou traumas, de se adaptar. Podemos afirmar que as conexões neuronais se adaptam as demandas do ambiente. Você já imaginou como seria o processo de aprendizagem sem a plasticidade cerebral?
A neuroplasticidade é fundamental para a manutenção da vida e desenvolvimento humano. Se observamos esse processo, conseguimos constatar, que certas capacidades são peculiares em determinadas fases da vida. Ou seja, temos na infância, um pico de intensidade na capacidade de aprender. Um exemplo seria o aprendizado de outra língua, pois devido a plasticidade cerebral ser maior na primeira infância, a criança possui mais facilidade neste aprendizado. Isso significa que aprender outra língua na fase adulta é possível, porém exigirá mais esforço.
Um dos fatores que influenciam a neuroplasticidade é um ambiente rico em estímulos. Outro fator é o exercício cerebral, ou seja, o cérebro precisa de uma quantidade mínima de atividades que o mantenham em movimento de trabalho.
Para que você entenda melhor vamos usar a imaginação! Imagine que o processo de aprendizagem é um bolo em camadas, para que esse bolo seja delicioso é preciso que cada camada seja firme para que não desmorone. Ou seja, você só pode colocar outra camada quando a camada anterior estiver consistente. Cada camada serve de suporte para a que vem a seguir. Assim funciona a aprendizagem!
A primeira infância é o momento ideal para criarmos alicerces para qualquer situação de aprendizagem. Uma das formas de fazer isso é o diálogo, mesmo antes da criança expressar suas primeiras palavras. Lembrando que os cinco primeiros anos são os mais críticos neste desenvolvimento
Podemos dizer, que a capacidade de aprendizagem que cada pessoa tem é determinada tanto pela genética quanto pela educação. A genética por si só não é suficiente para aprendermos, mas um desenvolvimento planejado faz toda diferença.
Para colocar nossa genética pra trabalhar é fundamental que haja estímulos, ou seja, é preciso estimulação cognitiva. O que é isso? É a produção de problemas que leve nosso cérebro a trabalhar em prol de soluções. Voltando ao bolo, é importante oferecer sempre alguns desafios para a criança, de acordo com a faixa etária, com base nos conhecimentos e habilidades que ela já adquiriu, chamamos isso de “zona de desenvolvimento proximal”, um conceito trazido por Lev Vygotsky.
Os jogos e brincadeiras são fundamentais nesta fase do desenvolvimento, uma vez que a criança aprende de forma lúdica. Explorar os movimentos corporais, a socialização, o toque, as sensações, a fala, fazem parte de um ambiente rico em estímulos e é o que vai favorecer todo o processo de aprendizagem futuro.
Cristiane Saraguci – Neuropsicopedagoga Clínica e Institucional